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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

7 Lógicas Adoráveis


A Decadência da música brasileira

"Como um anjo caído, fiz questão de esquecer que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira", "Que só eu que podia dentro da tua orelha fria,dizer segredos de liquidificador", "Queixo-me às rosas,mas que bobagem as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti"...Bons tempos aqueles em que a musica brasileira possuia bom compositores.

Bons tempos aqueles em que as musicas possuiam conteúdo, mensagens, poesia e rebeldia com justa causa.Quando andavam pelo Brasil compositores e cantores como Cartola, Tom Jobim, Renato Russo, Cazuza, entre outros gênios da musica brazuca.Nesses tempos, você poderia dançar ou apenas curtir a musica, se assim quisesse.Tempos em que artistas faziam canções; quando a musica só era cantada por cantores de verdade.Mas hoje, as coisas estão um "pouquinho" diferentes aqui no nosso país.

Quem domina a musica brasileira hoje são o axé, funk, brega, pagode e forró universitário.Temos agora um novo estilo de musica, o "sertanejo universtário", seja lá o que isso signifique.Hoje, você não precisa mais ser artista para entrar no ramo de musica; basta saber dançar, ter um corpo em forma e saber ler e escrever um pouco.Qualquer imbecil pode fazer sucesso na atual musica brasileira.Musicas ridículas como "Rebolation", "Créu", são um pequeno exemplo do patético momento em que passa a musica brasileira.Isso porque os ritmos que estão dominando o país são voltados para a dança, e consequentemente as letras ficam em segundo plano.Não que dançar seja ruim, mas não precisam colocar letras tão baixas não é?

São letras tão ridículas que as vezes fico surpreso como essas coisas que as pessoas chamam de "musica", podem fazer sucesso.Naturalmente, como não é preciso ser muito talentoso para fazer sucesso no atual momento da nossa musica, o nível dos "artistas"(eles não são artistas, mas vou chama-los assim para mostrar um mínimo de respeito)cai drasticamente.São raros os grandes cantores.

Para não dizer que nenhum presta, o axé baiano revelou Ivete Sangalo, que se não é compositora(competente), é uma bela cantora.Em termos de compositores, prefiro não falar muito para não ficar triste:basta ouvir as letras das musicas que estão fazendo sucesso ultimamente.Lixo.Mas porque estamos assim?Como chegamos nessa lama?

Bom, a partir do momento em que os mercados da musica, literatura e cinema ficaram multimilionários, os produtos precisaram ser vistos de duas maneiras:a comercial e a artística.Muitos cantores e bandas vendem seus produtos bem rápido, ou seja, são bons do ponto de vista comercial;todavia do ponto de vista artístico são um lixo.Veja o "rebolation" por exemplo.A musica fez sucesso tão rápido e sumiu tão rápido.Ela nunca será lembrada daqui a dez anos.E porque?Porque é um produto descartável.

Por outro lado, existem produtos que são bons do ponto de vista artístico, mas não ficam populares.Quantas musicas, filmes e livros bons você já viu que não fizeram muito sucesso?Vários não é?E tem também aqueles mais incomuns, que são bons tanto artisticamente quanto comercialmente, como a Legião Urbana por exemplo.Infelizmente, o mercado de musica brasileira está repleto de produtos que são bons do ponto de vista comercial, mas são patéticos do ponto de vista artístico.

E enquanto ficarmos assim, não teremos grandes compositores,grandes cantores dando as caras por aí.Somente palhaços e palhaças com suas musicas vergonhosas.Esperamos que o rock, reggae, mpb e outros estilos que favorecem mais a inteligencia e a poesia, voltem a brilhar no nosso país.Chega dessas musicas de nível baixo, feita para pessoas com pouca coisa na cabeça.Chega de musicas patéticas.



Fonte:http://juventudeinformada.blogspot.com.br/2011/01/decadencia-da-musica-brasileira.html

O que é Preconceito?





Preconceito é um juízo pré-concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória, perante pessoas, crenças, sentimentos e tendências de comportamento. O preconceito pode acontecer de uma forma banal, até um pensamento, por exemplo, que feio, que gorda, que magro, como é burro este negrão. Há um sentimento de impotência quando se pretende mudar alguém com forte preconceito.

O preconceito é resultado das frustrações das pessoas que podem até se transformar em raiva ou hostilidade. Muitas vezes pessoas que são exploradas, oprimidas, “mal amadas” não podem manifestar sua raiva com o opressor, então deslocam sua hostilidade para outros que consideram inferiores resultando aí a discriminação o preconceito.

O preconceito pode ser fruto de uma personalidade intolerante, porque são geralmente autoritários e acreditam nas normas do respeito máximo á tradição, e são hostis com aqueles que desafiam as regras estabelecidas.

O preconceito pode aparecer através das formas mais comuns que é o preconceito social, racial e sexual. Nas características comuns a grupos, serão preconceituosas quando partir para o campo da agressividade ou da discriminação. O preconceito faz parte do domínio da crença por tem uma base irracional, não do conhecimento que é fundamentado no argumento ou no raciocínio.


Fonte:http://www.significados.com.br/preconceito/

Fique sabendo:será que é possível enganar bafômetro tomando uma dose de vinagre?














Reportagem da Folha de S. Paulo esclarece: É possível passar no teste do bafômetro, após beber bebida alcoólica, tomando uma dose de vinagre? Desde 2008 a mesma questão vem surgindo. Segundo Arthur Guerra, psiquiatra, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do Cisa (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool), "não há nenhuma chance de burlar o teste do bafômetro, seja usando vinagre, dropes ou outra coisa".


O bafômetro, diz ele, mede a quantidade de acetato, produto da quebra do álcool, exalado pelos pulmões, o chamado ar alveolar. Nada que atue na boca influencia a medição.








Fonte:http://www.dihitt.com.br/barra/fique-sabendosera-que-e-possivel-enganar-bafometro-tomando-uma-dose-de-vinagre

Governo processa Cogumelo do Sol por publicidade enganosa



Por suspeita de publicidade enganosa por parte da empresa Cogumelo do Sol Agaricus do Brasil, o Ministério da Justiça instaurou, nesta quarta-feira (27), um processo administrativo para investigar o caso.

A denúncia partiu do Ministério Público de Minas Gerais, que entendeu não haver informações claras o suficiente na propaganda, o que poderia levar o consumidor ao erro de ver o produto como um medicamento, dotado de benefícios terapêuticos --e não da forma correta, na categoria de alimento.

"O principal neste caso é a falta de informação correta, o que é fundamental para o consumidor poder exercer o seu poder de escolha", afirma Tamara Amoroso, coordenadora do departamento de proteção e defesa do consumidor do ministério.

A empresa tem dez dias para apresentar suas argumentações. A multa prevista nesta situação, desde que confirmada a denúncia, pode chegar a R$ 6,2 milhões.

A reportagem não conseguiu fazer contato com a empresa pelo 0800 disponível no site e não teve resposta no contato feito por e-mail.


Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1237941-governo-processa-cogumelo-do-sol-por-publicidade-enganosa.shtml

Experimento de cientista brasileiro cria comunicação entre cérebros de roedores



Informações motoras e táteis foram transferidas do cérebro de um roedor para o outro por meio de uma interface criada por pesquisadores da Universidade Duke, nos EUA, liderados pelo neurobiólogo brasileiro Miguel Nicolelis.

Para o experimento, foram usados pares de roedores, nos quais um era o codificador e o outro, o decodificador.

Em uma das etapas, o codificador deveria pressionar a alavanca certa para obter água, de acordo com o acionamento de uma luz de LED. Havia duas alavancas: quando a luz se acendesse acima de uma delas, a da esquerda ou a da direita, ele deveria acioná-la.

Durante a tarefa, os cientistas registravam a atividade elétrica das células de seu córtex motor por meio de microeletrodos implantados no cérebro do roedor codificador.

Essa informação foi transmitida ao córtex motor do decodificador por meio de pulsos elétrico inseridos no cérebro do animal. Segundo Nicolelis e colegas escrevem na "Scientific Reports", o animal decodificador conseguiu acertar qual era a alavanca certa em cerca de 70% das tentativas, lembrando que ele não teve a dica da luz dada ao primeiro roedor.

Quando o decodificador acertou, ele recebeu a recompensa e, ao mesmo tempo, foi enviado um feedback ao codificador, que recebeu de novo a gratificação. Com isso, é estabelecida uma colaboração entre os animais. "Essa foi a grande surpresa. Não sabíamos o que ia acontecer, já que isso nunca foi feito antes", afirmou Nicolelis à Folha, por telefone.

Em vídeo divulgado junto com o estudo, o neurocientista disse ainda que, quando havia uma falha na realização da tarefa e o codificador ficava sem a recompensa, ele realizava a tarefa de forma mais clara, "limpando" seu sinal cerebral, para receber a gratificação.

"Isso mesmo sem ele saber que, em outra caixa, havia outro animal realizando a tarefa."

Uma segunda etapa do experimento usou informações táteis: o roedor codificador tinha que perceber, com seus bigodes, qual era a abertura larga e qual era a estreita e indicar, virando o focinho para a esquerda ou direita, qual era qual. De novo, a informação foi transmitida em tempo real entre os roedores com sucesso. O decodificador, mesmo sem ter encostado nas aberturas, soube indicar em 65% das ocorrências, qual era a largura percebida pelo codificador.

Com o treinamento do uso da interface cérebro-cérebro, diz Nicolelis, o decodificador conseguiu criar uma representação dos bigodes do primeiro animal.

"Vimos que, quando os animais interagem, ocorrem modificações em ambos. Estamos começando a realizar esse trabalho em macacos, e os resultados se amplificam, dada a maior complexidade", disse Nicolelis à reportagem.

O trabalho com primatas deve ser apresentado ainda neste ano em um congresso científico.

Uma terceira parte do estudo com roedores demonstrou que é possível enviar essa informação a uma grande distância: um roedor no Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra, no Rio Grande do Norte, realizou a tarefa, captada por um segundo roedor em Duke, na Carolina do Norte, EUA.

Um laboratório foi preparado ao longo de dois anos para realizar o experimento, e a equipe brasileira recebeu treinamento específico. "Hoje, além de Duke, só há um outro local onde é possível reproduzir esse trabalho, em Natal."

Para o neurocientista, o trabalho é uma demonstração de que é possível criar um novo tipo de computação, no qual cérebros de diferentes animais podem colaborar em um só pensamento para resolver uma tarefa.

"Queremos estudar a possibilidade de um sistema de computação orgnânico, usando as características únicas aos cérebros de mamíferos que não podem ser reproduzidas por um computador. Ainda não sabemos qual é a capacidade disso, mas agora vamos medir objetivamente."


Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1238282-experimento-de-cientista-brasileiro-cria-comunicacao-entre-cerebros-de-roedores.shtml

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O que é voluntariado?


Ao analisar os motivos que mobilizam em direção ao trabalho voluntário, (descritos com maiores detalhes a seguir), descobrem-se, entre outros, dois componentes fundamentais: o de cunho pessoal, a doação de tempo e esforço como resposta a uma inquietação interior que é levada à prática, e o social, a tomada de consciência dos problemas ao se enfrentar com a realidade, o que leva à luta por um ideal ou ao comprometimento com uma causa.

Altruísmo e solidariedade são valores morais socialmente constituídos vistos como virtude do indivíduo. Do ponto de vista religioso acredita-se que a prática do bem salva a alma; numa perspectiva social e política, pressupõe-se que a prática de tais valores zelará pela manutenção da ordem social e pelo progresso do homem. A caridade (forte herança cultural e religiosa), reforçada pelo ideal, as crenças, os sistemas de valores, e o compromisso com determinadas causas são componentes vitais do engajamento.

Não se deve esquecer, contudo, o potencial transformador que essas atitudes representam para o crescimento interior do próprio indivíduo.



Segundo definição das Nações Unidas, "o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos..."

Em recente estudo realizado na Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, definiu-se o voluntário como ator social e agente de transformação, que presta serviços não remunerados em benefício da comunidade; doando seu tempo e conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário, atendendo tanto às necessidades do próximo ou aos imperativos de uma causa, como às suas próprias motivações pessoais, sejam estas de caráter religioso, cultural, filosófico, político, emocional.

Quando nos referimos ao voluntário contemporâneo, engajado, participante e consciente, diferenciamos também o seu grau de comprometimento: ações mais permanentes, que implicam em maiores compromissos, requerem um determinado tipo de voluntário, e podem levá-lo inclusive a uma "profissionalização voluntária"; existem também ações pontuais, esporádicas, que mobilizam outro perfil de indivíduos.

Ao analisar os motivos que mobilizam em direção ao trabalho voluntário, (descritos com maiores detalhes a seguir), descobrem-se, entre outros, dois componentes fundamentais: o de cunho pessoal, a doação de tempo e esforço como resposta a uma inquietação interior que é levada à prática, e o social, a tomada de consciência dos problemas ao se enfrentar com a realidade, o que leva à luta por um ideal ou ao comprometimento com uma causa.

Altruísmo e solidariedade são valores morais socialmente constituídos vistos como virtude do indivíduo. Do ponto de vista religioso acredita-se que a prática do bem salva a alma; numa perspectiva social e política, pressupõe-se que a prática de tais valores zelará pela manutenção da ordem social e pelo progresso do homem. A caridade (forte herança cultural e religiosa), reforçada pelo ideal, as crenças, os sistemas de valores, e o compromisso com determinadas causas são componentes vitais do engajamento. Não se deve esquecer, contudo, o potencial transformador que essas atitudes representam para o crescimento interior do próprio indivíduo.


Fonte: http://www.voluntarios.com.br/oque_e_voluntariado.htm







Dia Mundial do Rim chama atenção para doença crônica



O Dia Mundial do Rim é comemorado nesta quinta-feira (8) para chamar a atenção da população sobre a doença renal crônica. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, a enfermidade será a epidemia do século XXI. Em Minas Gerais, existem mais de dez mil pessoas em tratamento, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.

O diretor da Sociedade Mineira de Nefrologia, José Augusto Meneses, explicou que a doença crônica renal faz os órgãos pararem de funcionar, mas que é silenciosa nos estágios iniciais. Pessoas que têm pressão arterial alta, diabetes, sobrepeso, que são sedentárias e tabagistas têm maiores fatores de risco e devem realizar exames.


Segundo Meneses, a realização de exames como o de urina rotina e o de medição do nível de creatinina no sangue são importantes para constatação da doença. Ele conta que mudanças no estilo de vida como uma alimentação saudável, redução de sal nos alimentos são medidas simples mais importantes para evitar que o problema desenvolva.

Nesta quinta-feira (8), estão sendo feitas em Minas atividades em praças públicas e centros de nefrologia para chamar a atenção da população. Em Belo Horizonte, na Praça da Estação, estudantes de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estarão alertando os belo-horizontinos.


Fonte:http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2012/03/dia-mundial-do-rim-chama-atencao-para-doenca-cronica.html

Numero de negros no Congresso Nacional não é proporcional à população



No Brasil 50% da população é negra e parda, mas no Congresso não soma 10% dos parlamentares

A proporção de parlamentares negros no Congresso Nacional historicamente não espelha a realidade da população brasileira



Enquanto no Brasil a proporção de negros na população ultrapassa os 50%, entre pretos e pardos, na Câmara dos Deputados a proporção fica em 8,9%, com 46 dos 513 representantes do povo. Apesar de ruim, o quadro melhorou nas últimas décadas.

De acordo com o primeiro Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, publicado em 2008, na legislatura de 1983 a 1987 havia apenas quatro deputados negros. O número passou para 10 de 1987 a 1991, para 16 entre 1991e 1995 e caiu para 15 entre 1995 e 1998. O levantamento feito com base nos empossados em janeiro de 2007 mostra 11 deputados pretos, dos quais uma mulher, e 35 pardos, com duas mulheres. A publicação ressalta que 8,9% dos deputados eram negros, quando a proporção na população em 2006 era 49,5%.

No Senado, de 1987 a 1994 o único representante negro foi Nelson Carneiro. De 1994 a 1998 assumiu o mandato Abdias Nascimento e, de 1995 a 2002, a casa contou com Benedita da Silva e Marina Silva, as primeiras senadoras afrodescendentes do Brasil. Em 2007, haviam quatro senadores pardos e um preto. Na legislatura atual, entre os 81 senadores, o único que se autodeclara negro é Paulo Paim.

Um dos organizadores do relatório, o coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Sociais (Laeser) do Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo Paixão, explica que a análise apresentada no relatório foi feita com base em registro fotográfico, mas que não houve qualquer contestação ao método ou ao resultado.

“Não há contestação ao fato de que 92% do Congresso Nacional são formados por pessoas de pele clara, isso é uma coisa óbvia, você olha do alto do plenário do Congresso e vê os que estão lá presentes”. De acordo com ele, esse levantamento não foi feito na publicação seguinte, lançada em 2011, mas a realidade não mudou muito nesse período.

“Talvez não me surpreenderia se a realidade mostrada em 2008 tenha ficado ainda pior. A gente está começando a ter uma carência no Brasil de personalidades negras com capacidade efetiva de se eleger, de terem mais espaço na cena pública, com maior visibilidade. Nomes como Paim, Vicentinho, Benedita, todos recuaram muito. Veio a figura do Joaquim Barbosa, mas em outro eixo, uma outra forma, não dá para comparar muito o contexto. Então, a realidade descrita ali [no relatório] continua válida”.

Deputada benedita da Silva (PT-RJ): a luta da população negra do Brasil para ser reconhecida ainda está longe de ser vencida (Foto:Ag.Câmara)

De acordo com a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), atualmente há 30 negros na Câmara. Para ela, o problema atual da baixa representação vem de um processo histórico que começou com a escravidão.

“Mas isso não é uma coisa que a gente possa construir facilmente. Tem todo um processo que nós entendemos como sendo fatores que implicaram a pouca presença da comunidade negra, principalmente nesses espaços políticos, que são espaços de decisões e, sendo [assim], não são espaços caracterizados para negros ou afrodescendentes”.

Ela lembra das lutas desde Zumbi dos Palmares, a Revolta da Chibata, a dos Alfaiates e movimentos abolicionistas que levaram, pouco a pouco, à conquista de espaço.

“Hoje, na República, por exemplo, nós vamos encontrar o negro não só lutando por sua cultura, por sua identidade, mas por um espaço mais de poder, mais de decisão. E é evidente que essa construção está sendo feita. Hoje você tem, são poucos, mas você tem alguns negros que conseguiram superar essas fases e já estão aí nesses espaços construindo possibilidades e pautando esse caminho”.

Para a secretária de políticas de ações afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Ângela Nascimento, o problema da representatividade é ainda mais grave entre as mulheres. Ela acha que são necessárias ações afirmativas para corrigir as desigualdades.

“A gente compreende que, diante da participação da população negra, do significado da população negra na história deste país, é necessário que haja medidas que corrijam a sub-representação das mulheres negras nos cargos políticos. É fundamental que a gente atue para que elas tenham uma participação capaz de reverter esse quadro de desigualdade”.

Segundo levantamento do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), as mulheres pretas, pardas e indígenas são a maioria entre os 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos que não trabalham nem estudam no país. Elas somam 2,2 milhões, correspondente a 41,5% desse grupo. Do total de jovens brasileiros nessa faixa etária (27,3 milhões), as negras e indígenas representam 8%, enquanto as brancas na mesma situação chegam a 5% (1,3 milhão).



Debate sobre os direitos da população negra proposto pela ONU coincide com os 10 anos de criação da Seppir




Reconhecimento raro: “Troféu Raça Negra”, que tem por objetivo premiar aqueles que contribuíram e ajudaram a enaltecer a cultura negra em várias atividades em 2012 premiou o ator infantil Jean Paulo Campos, a atriz Cacau Protásio, e o gari e passista de samba Renato Sorriso.


Akemi Nitahara
Agência Brasileira

A Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, no dia 13 de dezembro, resolução propondo o período de 2013 a 2022 como a Década do Afrodescendente. O documento ainda precisa ser ratificado pela Assembleia Geral das Nações Unidas para a campanha ser proclamada oficialmente, mas a ideia é aprofundar o debate sobre os direitos da população negra e contra o racismo e a discriminação racial.

A discussão vem no momento em que o Brasil comemora os dez anos da criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Segundo a secretária de políticas de ações afirmativas do órgão, Ângela Nascimento, nesse período foram implantadas ações de política de igualdade racial nos estados e municípios, mas a participação política dos negros ainda precisa ser impulsionada.

“A gente está trabalhando um conjunto de propostas dentro do programa de ações afirmativas, a ser lançado; Embora o programa não esteja focado em participação política, nós queremos reforçar a importância das ações afirmativas para impulsionar o aumento dessa participação política dos homens e mulheres negras”.

O coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Sociais (Laeser) do Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo Paixão, lembra que, apesar participar intensamente nos movimentos sociais, a população negra não consegue ter representação eleita.

“É muito difícil para o movimento popular se representar no parlamento porque você tem que ampliar a zona de alcance de um candidato para além daquele público específico. Você tem que atingir um público que tem outro porte de preocupações. Então o fato é que o movimento negro se fortaleceu, mas a representação parlamentar, não”.

De acordo com Paixão, um negro que se candidata enfrenta o mesmo problema que qualquer negro ou negra que procura uma profissão de maior destaque e remuneração na sociedade, posições mais facilmente aceitas quando ocupadas por brancos.

“Acho que a importância da gente ter na vida política a representação proporcional à própria população decorre da importância que temos de imaginar que todas as pessoas que fazem parte de um país têm contribuições a dar”.

Para o coordenador, uma barreira para o acesso a um sistema de representação por conta de alguma característica como cor da pela, sexo, sotaque, ou o que for, significa que se pode estar descartando pessoas boas no que fazem e isso acaba sendo uma perda para o país como um todo.

Paixão acredita que uma solução para o problema pode vir com a reforma política. A assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) Eliana Graça, defende a inclusão de cotas raciais nas candidaturas, como já ocorre com a participação feminina.

“Nós temos uma proposta de reforma política que tem uma série de princípios. A gente defende aquela lista partidária pré-ordenada. No caso são as eleições proporcionais, o partido teria que definir a lista com alternância de sexo e o critério de composição da lista teria que observar também o critério étnico-racial de acordo com a expressividade daquela população naquela região, naquele estado”.

A deputada federal Benedita da Silva também defende que as cotas raciais nas candidaturas entrem na reforma política. Para ela, a representação deve ser proporcional à população.

“Nós somos a população majoritária. No processo democrático e dentro da pluralidade, é evidente que ter negros em todos os espaços seria uma coisa que deveríamos encarar como natural, praticamente uma coisa automática, [mas não é assim]. Essa é a primeira importância: direitos iguais com pessoas diferentes”.

A reforma política envolve uma série de projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Entre os pontos em discussão estão a mudança do dia da posse de presidente, governadores e prefeitos, que atualmente é no dia 1º de janeiro do ano seguinte à eleição, e a unificação das eleições municipais com a federal e as estaduais. Dessa forma, os brasileiros iriam às urnas a cada quatro anos, e não de dois em dois, como é hoje.



Ausência de negros nas esferas decisórias leva à falta de políticas públicas específicas



Ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF com a presidenta Dilma Rousseff: excessões como esta estimulam negros a seguirem na luta por espaços nas esferas mais altas do poder público e político (Foto:Carlos Humberto-STF)

Akemi Nitahara
Agência Brasil

A baixa representatividade da população negra nas esferas de poder leva ao círculo vicioso da falta de acesso a esses postos e também à dificuldade de evolução na escala social.

Para o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Paixão, coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Sociais (Laeser) do Instituto de Economia (IE), quando uma pessoa de pele escura evolui na escala social, mais barreiras ele tem para desfrutar da condição conquistada.

Ele lembra que não se pode deixar de lado o fato de que as práticas sociais existentes, independentemente das condições econômicas, não favorecem a mobilidade social ascendente da população negra. “Porque no Brasil houve uma espécie de consenso de que as melhores posições deveriam ser ocupadas por um determinado grupo de cor e um determinado grupo de sexo. E que as outras funções sociais de menor destaque, as mais precárias, essas sim, poderiam ser exercidas por pessoas negras.

Na opinião do professor, não pode ser acaso que entre cantores e jogadores de futebol se encontrem tantos negros de destaque e em funções como na Confederação Nacional da Indústria e no Congresso Nacional não haja quase nenhum. “A abolição se deu há mais de 100 anos, já teria dado tempo de uma mudança ter se processado no país, se não existissem essas outras barreiras”.

A assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Eliana Graça, lembra que essa dificuldade de acesso dos negros à estrutura de poder leva à falta de discussão da pauta política racial.

“Os direitos e os interesses da população negra não conseguem chegar na estrutura de poder. A crença nossa é que você tendo essas pessoas ocupando espaços de poder, elas têm condições de [atender] as necessidades dessa população. Não tem um olhar com esse corte específico, quer dizer, a pauta política, de uma maneira geral, não atende a população negra, porque você não tem pessoas que defendam essa pauta”.

A deputada federal Benedita da Silva vai além. Para ela, a exclusão prejudica o desenvolvimento de todo o país.

“Como você perde um segmento que tem uma cultura forte, expressiva no campo da economia, da política, da ciência, da tecnologia. Os negros que vieram [para o país durante a escravidão] não eram analfabetos, como tentam passar historicamente. Tinham conhecimento [e havia entre eles alguns que eram] até reis e rainhas nos seus países respectivos, com sua língua, suas tradições”.

Para Benedita, a representação racial na política tem melhorado, mas ainda esta muito longe do que seria ideal. Ela acredita que o negro está brigando mais para conquistar mais espaço, mas ainda está muito aquém dessa representação.

“Você ainda pode dizer: fulano está ali, sicrano está lá. É uma conquista, não deixa de ser, mas você ainda pode [contar essas pessoas] nos dedos das mãos. O que nós buscamos é que daqui a um pouco mais seja uma coisa tão natural que não dê para [contar].”

Para a secretária de políticas de ações afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Ângela Nascimento, a dificuldade começa com a falta de acesso a diversos mecanismos que facilitam a entrada no poder político, como o ensino superior.

“Na vida da população negra o acesso ao ensino superior foi mais difícil. Essa realidade começa a ser mudada com a política de cotas. O acesso a determinadas oportunidades de cargos públicos também foi mais difícil, tem sido ainda mais difícil para a população negra”.

Ângela diz que a expectativa com a lei de cotas, que passa a ser agora para todas as universidades e institutos federais, aumente mais a participação da juventude que está acessando a universidade a outros cargos, “inclusive ao poder político”.

Segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de pretos que frequentavam o ensino superior subiu de 2,3% no ano 2000 para 8,4% em 2010. Entre os pardos, o número passou de 2,2% para 6,7%.



Apenas um prefeito de capital eleito em 2012 é negro



João Alves Filho (DEM-SE), prefeito de Aracaju: unico negro a comandar uma prefeitura de capital no Brasil. Retrato explícito da desigualdade na ocupação dos espaços de poder herdado da formação escravagista da nação brasileira. (Foto:Assessoria)

Akemi Nitahara
Agência Brasileira

João Alves Filho, do Democratas, é o único negro entre os prefeitos de capital que tomaram posse no dia 1º de janeiro. Ele volta ao cargo em Aracaju (SE), depois de ter sido prefeito da cidade na década de 1970 e governador do estado em duas ocasiões.

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Paixão, coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Sociais (Laeser) do Instituto de Economia (IE) lembra que, no Brasil, poucos negros exercem funções de destaque. Essa mudança de paradigma já ocorreu nos Estados Unidos, que reelegeram um negro para a presidência.

“O Barack Obama é produto de uma coisa que mudou nos Estados Unidos, que foi o acesso da população negra aos espaços sociais mais prestigiados. A política eu não diria que foi [a área] mais privilegiada dessa mudança não, mas [isso se observa] no acesso às universidades, a grandes empresas, na mídia, há uma visibilidade pública maior. E isso acaba favorecendo que as pessoas achem menos estranho ter pessoas diferentes, de pele escura, exercendo funções de comando”.

Paixão lembra que os Estados Unidos têm uma história que se inicia com a guerra civil e passa pelo período das leis segregacionistas, o que nunca ocorreu no Brasil. Mesmo assim, os norte-americanos produziram um presidente de evidente origem negra e o Brasil não.

Para a deputada federal Benedita da Silva, apesar de o Brasil ainda não eleger muitos negros, outras lutas e representações sociais importantes foram alcançadas nos últimos anos.

“Os Estados Unidos já elegeram e reelegeram um negro para a presidência. E o Brasil ainda não conseguiu, mas já elegeu um operário, elegeu uma mulher, penso que estamos avançando, porque são lutas muito importantes também, e a cada dia vemos esses movimentos crescer e serem representados. Creio que daqui a pouco a comunidade negra vai estar em outro patamar”

Para a assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) Eliana Graça, o problema é cultural e histórico, envolvendo a disputa do poder.

“Os negros não se candidatam não é por que não têm competência, não é bem isso. Primeiro que você tem uma cultura na sociedade que é machista e racista, né, então nós ainda não conseguimos derrubar esse racismo, nós temos uma história de submissão da raça negra, a questão da escravidão, que a gente não superou totalmente”.

Eliana considera que houve avanços, mas os próprios partidos políticos não oferecem oportunidades iguais de acesso às candidaturas. Além disso, ela destaca que os negros são a parcela da população que tem menos acesso à renda e a um bom trabalho.

“Com essas campanhas milionárias, como é que os negros concorrem, sem ter o financiamento público de campanha? Porque hoje se elege quem tem dinheiro”.

A secretária de políticas de ações afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Ângela Nascimento, afirma que, se por um lado existe a ideia de que os negros são importantes na vida da sociedade brasileira, por outro eles não são vistos como tendo as mesmas condições dos brancos para ocupar os espaços de decisão.

“Se nós somos um Brasil que sempre foi colocado como miscigenado e se há uma participação bastante expressiva da população negra, porque há sub-representação da população negra nessas instâncias [de poder]?”

Para Ângela, se todos são iguais, os negros também podem dividir igualmente os espaços de poder. “Considerando que essas desigualdades estão concentradas na população negra, é fundamental que ela seja protagonista dessas mudanças”. De acordo com ela, o Brasil criou o imaginário perverso de que negros são ótimos para trabalhar e incapazes de comandar, algo que precisa ser transformado

Fonte:http://www.pautaextra.com.br/rec_tudo.php?id=326

Vício por comida



O que leva alguém a perder o controle do que come e engordar até correr o risco de morte? Compulsão. Assim como as demais dependências, a obesidade mórbida já é considerada por alguns especialistas uma consequência de um vício. Vício por comida.

Pensei nisso ao entrevistar Tânia Caetano e Marli dos Santos, ambas internadas em Suzano para emagrecer antes da cirurgia bariátrica no Hospital das Clínicas.




A história de ambas é impressionante e nos mostra o quanto estamos distantes de entender e tratar com eficiência as compulsões. Não estou convencida de que a cirurgia bariátrica, por si só, seja capaz de "curar" boa parte dos obesos mórbidos que se submetem a ela.

Karime Xavier/Folhapress


Tânia Brito Caetano, 29, e Marli Matos dos Santos, 53, internadas no Hospital de Retaguarda de Suzano


Em seu livro, "The Compass of Pleasure" (A bússola do prazer, sem edição no Brasil), o neurocientista David Linden, professor na Universidade Johns Hopkins, revela como agem os diferentes tipos de prazer nos circuitos cerebrais e como eles podem se tornar vícios.

Para ele, do ponto de vista fisiológico e químico, o prazer extremo pela comida pode, sim, virar dependência.

"Nós gostamos de pensar em "metabolismos" para explicar por que ganhamos peso. Na verdade, 90% das pessoas que estão severamente obesas o são porque comem demais, não porque têm desordens metabólicas. Isso acontece porque seus cérebros são diferentes."

As pessoas comem porque sentem prazer, e o prazer está associado à liberação de dopamina no cérebro. Esse neurotransmissor dispara quando ingerimos uma comida deliciosa, por exemplo. A dopamina integra o sistema de prazer e recompensa.

Assim como os demais vícios, as pessoas começam porque se sentem bem. Nas que têm predisposição para o vício, segundo Linden, vão precisando de mais e mais. Todo o desejo se transforma em necessidade. A dependência gera mudanças estruturais, químicas e elétricas dos neurônios.

A literatura médica mostra que hoje de 30 a 40% dos obesos têm distúrbios relacionados à compulsão alimentar. Na bíblia da psiquiatria, esse tipo de compulsão é definido por comer num intervalo curto de tempo uma quantidade de alimento muito maior do que outra pessoa poderia comer no mesmo período de tempo, e acompanhada por uma perda do controle do que e do quanto está comendo naquele momento.

Em geral, essa perda de controle vem acompanhada de tristeza ou de ansiedade. Os obesos com compulsão alimentar, quando comparados com obesos sem compulsão alimentar, consomem uma quantidade de calorias muito maior. Neles, a recidiva e o reganho de peso (mesmo depois da cirurgia bariátrica) são mais frequentes do que nos que obesos não compulsivos.

David Linden aposta que, em um futuro distante, teremos meios de ativar nossos mecanismos de prazer de forma não invasiva, talvez algo como um capacete de beisebol que, colocado na cabeça, ativará seus circuitos cerebrais do prazer na intensidade que você desejar.

Enquanto esse futuro incerto não chega, só nos resta torcer para que Tânia, Marli e tantos outros que enfrentam as mais diversas dependências consigam segurar a onda com os meios que dispomos (terapias, medicamentos e cirurgias). Só por hoje.


Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiacollucci/1229684-vicio-por-comida.shtml

sábado, 23 de fevereiro de 2013

“Ordem é abordar indivíduos negros e pardos”


PM dá ordem para abordar ‘negros e pardos’ e diz que não houve racismo. A reportagem, então, pediu um ofício semelhante em que o alvo das abordagens fosse um grupo de jovens brancos, mas não obteve resposta

Desde o dia 21 de dezembro do ano passado, policiais militares do bairro Taquaral, um dos mais nobres de Campinas, cumprem a ordem de abordar “indivíduos em atitude suspeita, em especial os de cor parda e negra”. A orientação foi dada pelo oficial que chefia a companhia responsável pela região, mas o Comando da PM nega teor racista na determinação.

O documento assinado pelo capitão Ubiratan de Carvalho Góes Beneducci orienta a tropa a agir com rigor, caso se depare com jovens de 18 a 25 anos, que estejam em grupos de três a cinco pessoas e tenham a pele escura. Essas seriam as características de um suposto grupo que comete assaltos a residências no bairro.

A ordem do oficial foi motivada por uma carta de dois moradores. Um deles foi vítima de um roubo e descreveu os criminosos dessa maneira. Nenhum deles, entretanto, foi identificado pela Polícia Militar para que as abordagens fossem direcionadas nesse sentido.

Para o frei Galvão, da Educafro, a ordem de serviço dá a entender que, caso os policiais cruzem com um grupo de brancos, não há perigo. Na manhã de hoje, ele pretende enviar um pedido de explicações ao governador Geraldo Alckmin e ao secretário da Segurança Pública, Fernando Grella.


PM dá ordem para abordar ‘negros e pardos’. (Foto: Ofício Policial)

O DIÁRIO solicitou entrevista com o capitão Beneducci, sem sucesso.

Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/01/ordem-e-abordar-individuos-negros-e-pardos.html

Jovens negros: o massacre das principais vítimas do Brasil


Com baixa expectativa de vida, jovens negros são as principais vítimas do Brasil

Em quase todos os países, assim como no Brasil, as principais causas de mortes entre as pessoas são doenças como as cardíacas, isquêmicas, acidentes vasculares cerebrais, câncer, diarreias e HIV. Mas outro fator vem ganhando as primeiras posições nas últimas décadas: o da violência. Segundo dados da Vigilância de Violências e Acidentes do Sistema Único de Saúde (Viva SUS 2008-2009), o homicídio tem ficado em terceiro lugar do ranking de causas de mortes dos brasileiros e, estratificando-se pela faixa etária de 1 a 39 anos, este número alcança a primeira posição.

Ratificando este índice, de acordo com a pesquisa Global Burden of Disease (GBD) – Carga Global de Doença, em português, publicada neste mês pela revista inglesa The Lancet e organizada pela Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, o Imperial College, de Londres, e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fator violência é apontado como a principal causa de mortes entre jovens no Brasil e Paraguai. Entre os países da América Latina, a Argentina, Chile e Uruguai têm os assassinatos em 12ª colocação, enquanto na Europa Ocidental, que inclui países como Inglaterra, França e Espanha, as mortes violentas ficam em 50ª lugar.


Além de idade, as vítimas têm cor. Jovens negros são as principais vítimas do Brasil

Dados nacionais desenvolvidos pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Observatório de Favelas e o Laboratório de Análise da Violência (LAV-Uerj) e divulgados no mês de dezembro de 2012 destacam a parte deste número de homicídios que acontece ainda na adolescência. De acordo com o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), criado em 2007 por estas instituições, o número de mortes entre jovens de 12 a 18 anos vem aumentando ao longo do tempo. Para cada mil pessoas nesta faixa etária, 2,98 é assassinada. O índice em 2009 era de 2,61. Este índice representa cerca de 5% dos casos de homicídio geral. Entre as principais causas de homicídio está o conflito com a polícia. E o estudo aponta uma expectativa não muito animadora: até 2016 um total de 36.735 adolescentes poderão ser vítimas de homicídio. Leia também

Para Luiz Eduardo Soares, cientista político e especialista em segurança pública, esse quadro já não é novidade para quem estuda o assunto, mas traz uma reflexão urgente. “Há 20 anos estamos vendo este cenário se repetir. E é isso que o torna cada vez mais grave porque sabemos quem são as vítimas, mas não somos capazes de ajudá-las, de reverter estas estatísticas”, lamenta.

Doriam Borges, do LAV-Uerj e um dos responsáveis pelo levantamento do IHA, explica que o índice de homicídios entre os jovens expressa a metamorfose que a violência vem sofrendo ao longo do tempo. “Nas décadas de 1960 e 1970, a violência era caracterizada por assalto a bancos e, embora houvesse homicídio e latrocínio, o número era menor. Atualmente, o tráfico de drogas nacional e internacional foi ganhando força no país, mas o que é mais relevante é o aumento do tráfico de armas e a facilidade de acesso a estes instrumentos”, explica.
Além de idade, as vítimas têm cor

Em artigo publicado pela Carta Capital em agosto do ano passado, ‘A violência contra jovens negros no Brasil’, o especialista em análise política pela Universidade de Brasília (UNB) e ex- consultor da Unesco e da Fundação Perseu Abramo para o tema das relações raciais e de juventude, Paulo Ramos, aponta que o diagnóstico apresentado ao Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) pelo Governo Federal, baseado no DataSUS/Ministério da Saúde e no Mapa da Violência 2011 , mostra que em 2010 morreram no Brasil 49.932 pessoas vítimas de homicídio, um total de 26,2 para cada 100 mil habitantes. Dessas vítimas, 70,6% eram negras. No mesmo ano, 26.854 jovens entre 15 e 29 sofreram homicídio, ou seja, 53,5% do total de vítimas em 2010. Destes 74,6% eram negros e 91,3% do sexo masculino. Paulo Ramos reforça ainda que faltam força e organização política para a mudança deste cenário. ‘Existe uma dissonância entre elementos fundamentais para o êxito de uma ação que vise combater os homicídios de jovens negros. Para estas políticas, quando há orçamento, não há reconhecimento de diferenças; quando o projeto aborda a juventude negra, não há recursos. E quando há reconhecimento com recursos, não existe foco nos jovens mais vulneráveis’, explica, no artigo.

Em entrevista à EPSJV/Fiocruz, o consultor relembrou que estes índices de violência aos jovens negros vêm sendo apontados há muito tempo pela sociedade civil e por organizações não-governamentais, mas pouco tem sido feito para mudar essa realidade. “Se pegarmos o histórico, em 1968 foi lançado um livro chamado ‘O Genocídio do Negro no Brasil’; uma década depois, em 1978, foi criado o Movimento Negro Unificado, um ato cujo estopim foi a morte de alguns negros em São Paulo. Fora isso, existem iniciativas de comunidades negras como a criação de uma carteirinha contra a abordagem violenta de policiais, entre outras. Apesar disso, continuamos vendo em dados e estatísticas os mesmos resultados. Precisamos ir além para não vermos mais isso se repetindo”, analisa.

A edição de 2012 do Mapa da Violência : ‘A cor dos homicídios no Brasil’ desenvolvido pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, Secretaria de Políticas de promoção de Igualdade Racial e a Flacso Brasil mostra que este índice está aumentando ao passar das décadas. A pesquisa mostra que entre 2002 e 2010, segundo os registros do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), morreram no país 272.422 cidadãos negros, com uma média de 30.269 assassinatos ao ano. Além disso, destaca ainda o ano de 2010 como o mais crítico, por ter um somatório de 34.983 mortes por essa causa.

“Várias pesquisas há muito tempo têm mostrado que as vítimas são preferencial jovens, negros e solteiros. No estudo realizado pela LAV-UERJ em parcerias com as outras instituições, é possível perceber que os adolescentes negros têm quase três vezes mais chances de serem vítimas de homicídio do que os jovens brancos da mesma faixa etária”, explica o pesquisador Doriam Borges. E completa: “Vivemos em uma sociedade socialmente e racialmente desigual. E elas têm uma relação muito forte. Não é que os negros deveriam ser mais vítimas, mas, por conta de toda essa desigualdade social, eles continuam sendo vítimas porque já são vítimas de tantas outras violências há muito tempo”.
Violência e políticas públicas

O relatório do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva SUS), a ser divulgado no início deste ano, mostra que os indivíduos do sexo masculino representaram a maior proporção dentre os atendimentos de casos de violência realizados pelo SUS, totalizando 71,1%. Além disso, ele estratifica, evidenciado que a faixa etária de 20 a 30 anos concentra 34,8% deste montante; e os atendimentos envolvendo pessoas com cor da pele parda e preta são de 51,4% e 17,8%, respectivamente.

Deborah Malta, coordenadora de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, explica que o Ministério tem feito diversas estratégias para dar suporte à implementação de políticas públicas nessa área. “Enquanto política setorial, temos reportado as ações sobre mortalidade, apoiando os estados para que desenvolvam projetos específicos de prevenção, proteção e vigilância. Além disso, o Ministério da Saúde vem desenvolvendo projetos de capacitação de equipes de saúde em relação a acidentes e violência e ao trabalho de notificação de vítimas de violência. Mas, como a compreensão deste tipo de violência está muito relacionada a um conjunto de questões sociais, muitas vezes extrapola a capacidade de intervenção e de dar respostas do setor de saúde”, explica.

No entanto, Paulo Ramos critica a falta de políticas públicas, especialmente de saúde, focadas nesta população negra. “Hoje o Ministério da Saúde desenvolve ações para as mulheres, que acabam atendendo às necessidades das jovens negras, mas políticas especificamente para os homens não existem”, analisa.

Doriam Borges concorda que as políticas públicas existentes hoje são muito abrangentes e que precisam ser mais focalizadas a públicos específicos. “É preciso em primeiro lugar uma política séria de desarmamento. A chance de os jovens morrerem por arma de fogo é muito maior do que por outros meios. Além disso, é importante que se criem políticas específicas de prevenção e redução de homicídios contra adolescentes e jovens, que é o público alvo. Não temos políticas específicas de violência letal. Temos algumas políticas mais abrangentes, como as de segurança pública, mas, muitas vezes, as políticas públicas de segurança acabam sendo mais reativas, e nós precisamos de políticas preventivas na área de letalidade de juventude”, comenta. De acordo com a pesquisa do IHA, o risco de morte com arma de fogo entre adolescentes é seis vezes maior do que por outros meios.

Como forma de orientar políticas públicas mais específicas, as instituições responsáveis pelo IHA também criaram o Guia Municipal de Prevenção da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens com intuito de proporcionar uma metodologia de orientação aos gestores municipais na elaboração de políticas públicas voltadas para a redução da violência desta faixa etária. “Nesse guia, damos algumas orientações sobre como os gestores podem desenvolver políticas públicas. Cada cidade precisa de políticas específicas para suas realidades”, aponta Doriam.


Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/02/jovens-negros-o-massacre-das-principais-vitimas-do-brasil.html

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A via me ensinou



A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para “ver e ouvir estrelas”, embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente, como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher.

Charles Chaplin


Fonte:http://www.correiodeuberlandia.com.br/esta-escrito/2013/02/22/a-via-me-ensinou/

ACREDITE SE QUISER....


Acredite se quiser: Em 2011, um dentista de Taiwan extraiu o dente de um homem com uma semente de goiaba crescendo dentro da cavidade formada pela cárie. O homem tinha uma higiene bucal ruim e uma cárie bem desenvolvida o bastante para caber a semente. Acredita-se que em aproximadamente 10 dias a semente cresceu formando um broto.

http://diariodebiologia.com/

Termina rebelião em Contagem (MG); reféns são liberados e passam bem


Presos fazem rebelião no presídio Nelson Hungria, em Contagem (MG)
Terminou às 16h desta sexta-feira a rebelião no presídio Nelson Hungria, em Contagem (MG). Os dois reféns foram liberados. A professora Eiana da Silva Zeferina, 48, e o agente penitenciário Renato André de Paula Siqueira passam bem. Os presos aceitaram terminar a rebelião, que começou às 9h dessa quinta-feira (21), sob as condições de que tenham a integridade preservada e de que ninguém seja transferido.

Os cerca de 90 presos iniciaram uma rebelião na manhã de quinta na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, localizada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte porque estariam insatisfeitos com uma suposta proibição da entrada de grávidas no local para visitarem parentes presos. Além disso, os presos reclamam da atuação da direção da penitenciária e querem ainda a revisão de penas de alguns presidiários.

Oficialmente, a secretaria disse que está ainda apurando a motivação para a rebelião. A penitenciária tem capacidade para abrigar 1.664 presos e, atualmente, tem 1.970 detentos.

O coronel da PM (Polícia Militar) Antonio Carvalho disse que o fator determinante para o fim da rebelião foi promessa de que seria instaurado um processo pela Corregedoria do Sistema Prisisonal para que sejam ouvidas as reclamações dos presos com relação à unidade.

"Foi mostrado para eles [presos] a impossibilidade do afastamento imediato da direção, sendo que o processoseria instaurado pela Corregedoria. Todos eles [preso], serão ouvidos."

Após o fim do motim, policiais militares vasculharam o pavilhão. Foram encontrados até momento barras de ferro, que e também encontraram uma réplica de um revólver calibre 38 feita com alumínio de marmitex.

O sub-secretário do Sistema Prisional, Murilo Andrade, disse que a responsabilidade dos presos na rebelião será apurada pela Corregedoria. Ele não soube precisar quais as penalidades os detentos podem sofrer. O processo administrativo pode durar 30 dias.

Ele confirmou que a Corregedoria vai apurar as reclamações dos presos com relação à direção do presídio. "Será feita uma correição na unidade prisional, para ver se as demandas dos presos é verdadeira ou não", afirmou.

Andrade afirmou que os dois reféns --um agente penitenciário e uma professora-- estão bem.


Fonte:http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/02/22/termina-rebeliao-em-contagem.htm

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ATÉ ÀS 18:15HS NADA FOI NEGOCIADO NA CPNH




Detentos sobem no telhado durante rebelião na Penitenciária Nelson Hungria

Cerca de 100 detentos da Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), mantêm um agente penitenciário e uma professora reféns em uma rebelião dentro da unidade prisional, desde às 9h30 desta quinta-feira (21). Os revoltosos queimaram colchões durante o protesto, mas o fogo foi controlado pelo Corpo de Bombeiros. Os policiais investigam a suspeita de que uma pessoa estaria debaixo de um dos colchões.

Uma explosão e três barulhos semelhantes ao disparo de armas de fogo foram ouvidos de dentro da penitenciária. Os policiais, porém, não confirmam se os estrondos foram oriundos de revólveres. Ao todo, 26 militares do Grupamento de Ações Táticas Especiais (Gate) foram acionados para tentar contornar a situação e negociar com os presos a liberação dos reféns. Entre eles estão dois negociadores e um consultor psicológico. Os rebeleados estão no Pavilhão I da penitenciária, que abriga traficantes e homicidas, e há suspeita de que eles tenham duas armas de fogo. Militares do 18º Batalhão da Polícia Militar e agentes da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) também atuam no local.

Os revoltosos queimaram colchões, mas o fogo foi controlado pelo Corpo de Bombeiros (Foto: Amadeu Barbosa/Record Minas)

Em nota, a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) informou que a professora Eliana da Silva encontrava-se na sala de aula que funciona na unidade prisional quando foi rendida pelos detentos. A mulher trabalha na penitenciária deste 2003 e chegou a passar mal, mas não há registros de feridos em função do motim.

Agentes do Comando de Operações Especiais da Suapi (Cope) isolaram o local, conforme a Seds, para a atuação das equipes do Gate e da Polícia Militar e o subsecretário de Administração Prisional, Murilo Andrade de Oliveira, acompanha as negociações para a soltura dos reféns. Além disso, todos os demais pavilhões da penitenciária foram cercados para evitar que a rebelião se espalhe.

Um dos detentos ligou para a rádio Itatiaia e se identificou como "Daniel Cipriano" nesta manhã. Segundo ele, o motivo do motim deve-se a alterações dos horários de visitação e à proibição de gestantes como visitantes. Ainda de acordo com o homem, eles exigiram a presença da imprensa e do deputado Durval Ângelo (PT), membro da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), de um juiz da Vara de Execuções Penais e de um procurador de Justiça para fazer as negociações.


Militares e agentes da Suapi atuam no local e tentam conversar com os internos (Foto: Carlos Rhienck/Hoje em Dia)

"Cipriano" denunciou ainda agressões sofridas na unidade, onde ele está preso há dez anos. Segundo o detento, a liberação dos reféns só seria realizada após o cumprimento de todas as exigências feitas. Durante a entrevista à rádio, o detento permitiu que a professora mantida refém e identificada apenas como "Eliane" falasse ao vivo. A mulher disse que está bem e que não tem ferimentos.

A Seds não confirmou que os detentos exigiram a presença do deputado Durval Ângelo no local. Ainda segundo a secretaria, os presos não informaram ainda quais seriam os motivos da rebelião, mas um deles teria citado a restrição de visitas de gestantes. Os detentos exigiram ainda a retirada dos helicópteros que sobrevoavam a penitenciária e pediram mais bateria para o rádio de um agente penitenciário que está sendo utilizado para a negociação com o Gate.

Dentre os detidos na penitenciária Nelson Hungria estão o goleiro Bruno Fernandes, Frederico Flores, apontado como líder do “Bando da Degola”, Marcos Antunes Trigueiro, o homem que ficou conhecido como “Maníaco de Contagem”. Nenhum desses estaria, contudo, na ala onde ocorre a revolta dos presos .

 Fonte:http://agentesjf.blogspot.com.br/2013/02/ate-as-1815hs-nada-foi-negociado-na-cpnh.html

Dia Mundial do Rim destaca importância da prevenção. 8 de Março



Os rins exercem papel fundamental em nosso organismo. Sem eles não conseguiríamos eliminar todo o excesso de líquido e sujeiras internas do nosso corpo. Além disso, eles têm uma série de substâncias e hormônios benéficos. Por isso, há cinco anos, o dia 8 de março foi estabelecido pela Sociedade Internacional de Nefrologia para lembrar a importância de cuidar dos rins. Mas boa parte da população esquece dos cuidados com eles, resultando na chamada doença renal crônica – perda das funções renais que pode levar a uma série de complicações e até à morte. A estimativa é que de 15 a 20 milhões de brasileiros sejam portadores de algum grau de doença renal.

De acordo com o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), é estimado que no Brasil cerca de 30 milhões de pessoas com mais de 18 anos tenham pressão arterial alterada; entre 7 e 10 milhões de indivíduos têm diabetes; além de o país ter mais de 2 milhões de obesos, principais fatores de risco que desencadeiam a doença do rim. “Nós estamos lidando com uma epidemia. E isso vem acontecendo porque está aumentando o número de indivíduos com pressão arterial e glicose alteradas. Hoje, queremos mostrar para toda a população que é possível prevenir e tratar a doença renal crônica sem necessidade de evoluir para a hemodiálise. Nós temos por volta de 92 mil indivíduos realizando a hemodiálise ou a diálise”, alerta a médica nefrologista Patrícia Abreu, da Coordenação de Hipertensão e Diabetes do Ministério da Saúde.

A doença renal crônica pode ser evitada com a prevenção. “A população precisa fazer exercício, parar de fumar, emagrecer e com isso ela vai diminuir o risco de ficar com a pressão arterial alterada e com diabetes. Mas aqueles indivíduos que apresentam a doença, que já são hipertensos ou diabéticos, precisam controlar a pressão arterial e a glicose, porque se não acontece isso, 100% desses pacientes vão evoluir para a doença renal crônica, que tem uma grande mortalidade”, destaca a nefrologista.

O Dia Mundial do Rim alerta, ainda, que a doença renal é muito freqüente e fácil de ser diagnosticada. “Eu quero ressaltar para as pessoas que também têm algum familiar com pressão alta ou com diabetes, que procurem o Sistema Único de Saúde ou o convênio e perguntem para o médico: por favor, como anda a saúde do meu rim?”, explica a médica. Para saber se o rim está funcionando bem, basta fazer dois exames baratos e simples: o exame de sangue, chamado creatinina; e o exame de urina, que avalia se a pessoa apresenta perda de proteína. “A doença renal pode ser prevenida e isso pode ter um custo muito menor tanto para a família, quanto para o paciente e também no custo financeiro para nosso país”, finaliza Patrícia Abreu.

O Ministério da Saúde vai ampliar em R$181,6 milhões o investimento anual em hemodiálise para melhorar o atendimento aos pacientes com insuficiência renal. “Com essa injeção de recursos e outras medidas direcionadas ao setor, o orçamento federal para o tratamento de diálise será superior a R$ 2 bilhões este ano”, destaca o secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães. “Queremos garantir a sustentabilidade dos serviços e aumentar a qualidade da assistência oferecida à população, ressalta o secretário. O aumento da verba foi publicado hoje no Diário Oficial da União.


Fonte:http://www.blog.saude.gov.br/dia-mundial-do-rim-destaca-importancia-da-prevencao/

A roupa faz a diferença?



Sem maiores preocupações com o vestir, o médico conversava descontraído com o enfermeiro e o motorista da ambulância, quando uma senhora elegante chega e de forma ríspida, pergunta:

- Vocês sabem onde está o médico do hospital?

Com tranquilidade o médico respondeu:

- Boa tarde, senhora. Em que posso ser útil?

Ríspida, retorquiu:

- Será que o senhor é surdo? Não ouviu que estou procurando pelo médico?

Mantendo-se calmo, contestou:

- Boa tarde, senhora. O médico sou eu, em que posso ajudá-la?

- Como? O senhor! Com essa roupa?

- Ah, Senhora! Desculpe-me! Pensei que a senhora estivesse procurando um médico e não uma vestimenta.

- Oh! Desculpe doutor! Boa tarde! É que vestido assim, o senhor nem parece um médico.

- Veja bem as coisas como são, disse o médico – as vestes parecem não dizer muita coisa, pois quando a vi chegando, tão bem vestida,tão elegante, pensei que a senhora fosse sorrir educadamente para todos e depois daria um simpaticíssimo “boa tarde!”; como se vê, as roupas nem sempre dizem muito.

Moral da História:

Um dos mais belos trajes da alma é a educação.


Fonte:http://www.correiodeuberlandia.com.br/esta-escrito/2013/02/21/a-roupa-faz-a-diferenca-2/

Sabemos que a roupa faz a diferença, mas o que não podemos negar é que falta de educação, arrogância, superioridade, petulância, grosseria e outras “qualidades” derrubam qualquer vestimenta.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Na estrada com WER BEE GEES



























Microsoft anuncia data para o fim do Hotmail





A Microsoft anunciou ontem que o período de testes do Outlook.com chegou ao fim. Com isso, acaba também o futuro do Hotmail, pois os clientes do serviço antigo de e-mail da companhia serão movidos para o novo formato.

Na metade do ano, quem tem conta no Hotmail passará por uma migração automática para a nova experiência, mas mantendo as informações antigas, incluindo senha, mensagens, pastas, contatos, regras, respostas automáticas etc.

O usuário ainda poderá escolher se fica com o endereço @hotmail.com, ao invés do @outlook.com. "Nunca faremos você mudar", garante David Law, diretor de gerenciamento de produtos do Outlook.com.

Mas nada foi dito quando à duplicidade: quando a Microsoft lançou o Outlook.com, muita gente que tentou mudar para a nova plataforma se surpreendeu ao perceber que o endereço usado no Hotmail já havia sido tomado por outro internauta. Se todos resolverem ir de um serviço para o outro, não se sabe como isso será resolvido.

Mais de 60 milhões de pessoas entraram na fase beta, mandando sugestões sobre o que poderia ser melhorado no Outlook.com. Tudo foi analisado pela empresa e parte foi usada para melhorar o produto.

Embora a atualização automática esteja programada, os interessados já podem acessar o serviço. Em agosto passado, quando o produto foi apresentado, o Olhar Digital fez um review com as principais novidades (veja aqui). Abaixo você confere dois comerciais lançados sobre o Outlook.com.


Fonte:http://olhardigital.uol.com.br/produtos/digital_news/noticias/microsoft-anuncia-data-para-o-fim-do-hotmail

Revisão de estudos aponta mitos da obesidade



Um artigo publicado no "New England Journal of Medicine" que elenca mitos e fatos sobre obesidade e emagrecimento está causando controvérsia nos EUA.

David Allison, diretor do centro de pesquisas de nutrição e obesidade da Universidade do Alabama, e colegas apresentam uma lista com sete mitos, seis pressupostos não comprovados e nove fatos sobre a obesidade.
Editoria de Arte/Folhapress



Entre os mitos e conceitos não provados estão as ideias de que aulas de educação física têm efeito no emagrecimento de crianças obesas, de que amamentação evita o problema e que os obesos devem evitar dietas radicais.

Entre os fatos está o poder de remédios emagrecedores, cirurgias bariátricas e de programas que oferecem refeições prontas ou substitutos na perda de peso.

Os especialistas em obesidade aplaudiram esse esforço de desfazer confusões em torno da obesidade. Para eles, essa área vem se tornando um atoleiro.

O pesquisador de obesidade Jeffrey Friedman, da Universidade Rockefeller, disse: "A meu ver, há mais desinformação fazendo-se passar por verdade neste campo que em qualquer outro".

Mas pesquisadores independentes dizem que, apesar de apontarem informações válidas, os autores têm ligações financeiras com empresas de alimentos, bebidas e fabricantes de produtos para emagrecer.

A lista de declaração de conflito de interesses ocupa quase meia página do artigo.

"Isso levanta dúvidas sobre o propósito do artigo e se ele mira a promoção de medicamentos, produtos que substituem refeições e cirurgias bariátricas como a solução", afirmou Marion Nestle, professora da Universidade de Nova York.

"A grande questão na perda de peso é como você muda o ambiente ligado à comida para que as pessoas façam escolhas saudáveis."

MÉTODO

David Allison queria saber o que já está comprovado em relação à obesidade.

Uma ideia tida como verdadeira, por exemplo, é que as pessoas que tomam café da manhã são mais magras.
Editoria de Arte/Folhapress



Mas essa noção é baseada em estudos feitos com pessoas que já tomavam café da manhã. Dois estudos que separaram as pessoas em grupos e avaliaram o impacto de comer ou não de manhã não mostraram o efeito emagrecedor da primeira refeição.

Portanto, indaga Allison, por que os pesquisadores continuam fazendo estudos que se limitam a relacionar magreza e café da manhã?

"Todo esse tempo e esforço são desperdiçados."

Outro problema com as pesquisas sobre obesidade é que elas tendem a assumir como verdadeira a opção que parece ser mais razoável.

Um exemplo disso é a ideia de que as pessoas que seguem programas de emagrecimento se saem melhor quando definem metas conservadoras em vez de tentar perder um percentual grande do peso corporal.

Mas, quando ele examinou os estudos sobre emagrecimento, não achou nenhum vínculo consistente entre o grau de ambição da meta e quanto peso foi perdido, nem por quanto tempo a perda de peso tinha sido mantida.

Para Allison, cabe aos cientistas mudar seus hábitos. "Precisamos fazer estudos rigorosos", afirmou.

"Eu nunca disse que temos que aguardar até termos o conhecimento perfeito", ele concluiu. Mas, nas palavras de John Lennon, "me dê alguma verdade".


Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1224712-revisao-de-estudos-aponta-mitos-da-obesidade.shtml

Bombeiros encontraram irregularidades em 85% dos estabelecimentos fiscalizados em Minas

 Boate Up, na Savassi, ainda está interditada, mas deve reabrir em 15 dias, depois da reforma exigida pelos bombeiros (Leandro Couri/EM/D.A Press)

As operações de fiscalização do Corpo de Bombeiros encontraram irregularidades em 85,64% (567) das 662 casas noturnas vistoriadas em Minas Gerais. Na Grande BH, 60 dos 71 locais visitados desrespeitaram ao menos uma das normas de segurança definidas pela corporação. No interior do estado, a proporção foi ainda maior: 85,78% (507) dos 591 endereços inspecionados tinham falhas. O pente-fino interditou 150 casas, mas algumas já fizeram as mudanças exigidas e foram reabertas.

A operação foi feita entre os dias 1º e 7 deste mês, em decorrência da tragédia em Santa Maria (RS), onde 239 pessoas morreram em incêndio na Boate Kiss em 27 de janeiro. Foram vistoriados casas noturnas, bares, salões e clubes usados para festas e eventos. No total, 381 foram notificados e 36 multados. Na Grande BH, 20 estabelecimentos foram fechados. No interior, o 9º batalhão, sediado em Varginha, no Sul do estado, foi o responsável pelo maior número de interdições: 51. Em segundo lugar ficou o 4º Batalhão, em Juiz de Fora, na Zona da Mata, com 23.

“Os estabelecimentos interditados apresentavam risco iminente. Entre as irregularidades, não tinham iluminação e saídas de emergência e os extintores, quando existiam, estavam vencidos. Muitas casas não tinham o auto de vistoria dos bombeiros (AVB) nem projeto de prevenção contra incêndios”, informou o capitão Giderson Neves, integrante do comando operacional dos bombeiros e um dos coordenadores da operação.


Em BH, pelo menos três já reabriram, todas na Região Centro-Sul: o Alfândega Bar, no Bairro Santo Antônio, o dDuck dClub, na Savassi, e a casa de festas infantis Nog Kid’s, no Bairro Belvedere. O Alfândega, segundo sua assessoria de imprensa, ficou fechado nos dias 6 e 7, para ampliar a largura da porta para a Rua Viçosa, que era considerada insuficiente pelos bombeiros e foi aumentada para dois metros.

“Os bombeiros alegaram que só tínhamos uma saída (para a Rua Pernambuco) e abrimos uma segunda”, informou o proprietário do dDuck, Túlio Borges. A Favorita Music passou por reforma e deve reabrir na quinta-feira, segundo seu promoter, Roney Bigão. A boate Up, na Savassi, permanece interditada. “Estamos fazendo as mudanças e em 15 dias elas devem ficar prontas”, diz o gerente da casa, Ed Luiz Gomes.

Outras casas interditadas em BH foram Jequitibar, Al Capone, Oliver Art Bar, Clube Pinheiros, Nelson Bordello, New Texas 2, Rota 66, Gruta da Lapinha, Bar do César, Cia. do Cavalo, Berimbau Circo Bar, Café Paddock e a boate Hilda Furacão. Os militares não souberam informar o nome de uma das casas fechadas.

Parte do pente-fino realizado na capital foi feito em parceria com a prefeitura, cuja ação, por seguir a legislação municipal, nem sempre coincidiu com a dos militares. Os fiscais da Secretaria de Serviços Urbanos vistoriaram 57 casas, notificaram 27 e multaram uma em R$ 1.192,46. Doze foram interditadas, além de multadas em R$ 3.577,37. A prefeitura não especificou as irregularidades encontradas, mas informou que se referem ao alvará de funcionamento e a documentos relacionados com a segurança, como o laudo técnico para sistema de prevenção e combate a incêndio e pânico.



Fonte:http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2013/02/19/interna_gerais,351383/bombeiros-encontraram-irregularidades-em-85-dos-estabelecimentos-fiscalizados-em-minas.shtml

O preconceito racial no processo de adoção: os desafios da adoção inter-racial em Campo Grande





Resumo: Esta pesquisa identificou alguns obstáculos criados em relação ao adotando e conheceu famílias com filhos adotivos e suas histórias. Conhecemos o Projeto Padrinho e sua Coordenadora proporcionou-nos a visita aos abrigos, com autorização da Juíza da Vara da Infância. Acompanhamos também uma criança negra em abrigo até a sua adoção e a rotina de uma família branca, com duas filhas biológicas, que adotou oito crianças, sendo quatro negras. Para a obtenção de dados, utilizamos a história oral. Os resultados apontam muitos caminhos para uma adoção bem-sucedida, porém a adoção não é resposta às mazelas da sociedade. Ela precisa readquirir o seu significado, pois, muitas vezes, a exercemos sem perceber: adotamos os nossos amigos, namorado (a), ... Por que não, então, adotar uma criança de cor diferente da sua? Por que não mais do que uma? Impulsionar a discussão dessas questões e apontar algumas respostas foi o objetivo desta pesquisa. Este trabalho foi orientado pelo Professor José Manfroi.

Palavras-chave: 1. Adoção inter-racial. 2. Preconceito. 3. Diversidade cultural. 4. Práticas judiciárias.

INTRODUÇÃO

A palavra adoção tem origem no latim (adoptatio), e associa-se a considerar, olhar para, escolher, perfilhar (Weber, 1999). Houaiss (2001) situa a origem da palavra no século XV. Para a Língua Portuguesa, adotar “é um verbo transitivo direto” (AURÉLIO, 2004), uma palavra genérica, que de acordo com a situação pode assumir vários significados, como: optar, escolher, assumir, aceitar, acolher, admitir, reconhecer, entre outros. Para efeitos jurídicos, adotar significa acolher, mediante ação legal e, por vontade própria, como filho legítimo, uma pessoa desamparada pelos pais biológicos, conferindo-lhes todos os direitos de um filho natural.

Além do significado desses conceitos, está o significado da ação – o valor que a adoção representa na vida dos indivíduos envolvidos. Passa por uma extensa possibilidade de questões, de olhares, de discursos, de informações, de análises. Todo filho, biológico ou não, precisa ser adotado pelos pais. A relação familiar precisa ser dotada de preceitos claros, ligados à ética, à cidadania a ao respeito.

Diante de todas essas possibilidades, optamos por estudar, pesquisar a adoção inter-racial como uma opção que possibilite uma educação para a diversidade, que dissolva os mecanismos que geram o preconceito e a discriminação que são construídos socialmente e, assim, promova a sua própria destruição.

Nas sociedades modernas, a adoção é vista como uma medida que possibilita as chances do exercício da maternidade e/ou paternidade. Embora a convivência familiar em meio adotivo esteja estabelecida no ECA como um direito a todas as crianças e adolescentes, em situação de abandono, seu acesso ainda é muito dificultado quando se leva em consideração o quesito cor/etnia.

A intolerância às diferenças raciais ainda se configura na atitude de adotantes que expressam suas preferências, geralmente por crianças brancas. O preconceito continua instaurado em todos os setores da sociedade, sendo assim, não poderia se mostrar diferente na adoção de crianças e adolescentes afro-descendentes.

Embora qualquer adoção em que as características físicas da criança adotada difiram das características dos pais adotivos seja inter-racial, no Brasil o termo é usado quase sempre para as adoções de crianças pardas e negras, visto que a maioria absoluta das pessoas interessadas em adotar pela via legal são brancas.

Silveira (2002, p.65) alega que:

“quando indagados acerca da cor/etnia da criança desejada, apenas 1,4% dos cadastrados revelaram que, particularmente, esse fator não era importante. Para a autora, esse aspecto conduz a hipótese de que, os traços raciais dos sujeitos são considerados como um poderoso instrumento de elegibilidade no âmbito das adoções”.

Este artigo analisou a realidade de crianças e adolescentes que vivem em abrigos em Campo Grande – MS e o trabalho do Projeto Padrinho, que, apesar de não ter relação direta com o processo de adoção, é uma referência da iniciativa privada no que diz respeito à responsabilidade social. Por meio do Projeto, entramos em contato com os “personagens” do nosso estudo: famílias (brancas) que adotaram crianças negras e compartilhamos de suas histórias de vida.

1. AS ORIGENS DO INSTITUTO DA ADOÇÃO

No Brasil, a história da adoção teve início no século XX. O assunto foi tratado, pela primeira vez, no Código Civil Brasileiro, em 1916. (GOMIDE, 1999) afirma que a adoção no Brasil foi tratada tradicionalmente como via de mão única, ou seja, buscava-se apenas atender aos anseios de adotantes. Após essa iniciativa, teve-se ainda a aprovação em 1957, da Lei nº. 3.133; em 1965, da Lei nº. 4.655; e em 1979 da Lei nº. 6.697, que estabeleceu o Código Brasileiro de Menores.

É apenas em função do bem-estar da criança que a adoção passou a ser aplicada. A proteção da criança foi priorizada em função de qualquer outro fator que envolvia a adoção, inclusive a impossibilidade dos adotantes em ter filhos.

A partir de 1965, a adoção começou a ser prática incentivada pelo Estado, tornando-se extremamente presente nas políticas de assistência à infância pobre, tentando regular, em grande medida, suas formas de estar no mundo (AYRES, CARVALHO e SILVA, 2002). “A prática da adoção passa, então, a ser tomada como um atendimento preventivo à população de crianças excluídas socialmente.” (CUNHA e CUNHA, 2002, p.12)

Em 1990, com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA por meio da Lei n.º8.069/90, os processos de adoção foram facilitados. O documento põe em evidência os interesses do adotando (filho) e estabelece como principal objetivo do processo de adoção assegurar o bem estar deste: “A adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos” (BRASIL, ECA, Art. 43, 1999).

A nova lei da adoção, Lei nº 12.010, de 3 de agosto de 2009 trouxe inovações, algumas, inclusive, que já eram adotadas pelo Judiciário. Medidas como não separar irmãos ou autorizar os adotados aterem acesso ao seu processo já vinham sendo praticadas.

Art. 19. “A permanência da criança em programas de acolhimento institucional não se prolongará por mais de 2 (dois) anos, salvo comprovada necessidade que atenda ao seu superior interesse, devidamente fundamentada pela autoridade judiciária.” (BRASIL. Lei nº 12.010, Art. 19, § 2º, 2009)

A nova lei obriga que os juízes julguem um processo entre sete e oito meses. Institui também uma série de medidas, entre as quais destacamos a criação de prazos máximos de permanência dos meninos em instituições (2 anos), a criação do cadastro nacional de meninos acolhidos e a criação do programa de acolhimento familiar (famílias acolhedoras).

Para analisar os efeitos da nova lei, será preciso esperarmos para observar se o prazo de dois anos instituído para o abrigamento de crianças será eficiente para diminuir o tempo de espera por adoção e/ou suficiente para restituir a criança à sua família de origem.

2. PROJETO PADRINHO – UMA INICIATIVA PREMIADA

O Projeto Padrinho foi implantado no ano 2000, na cidade de Campo Grande/MS, pela então Juíza da Vara da Infância e Juventude, Maria Isabel de Matos Rocha, como um programa de solidariedade e apoio da sociedade civil às crianças e adolescentes abrigados.

O projeto não tem relação direta com o processo de adoção, mas desde o seu início, pelo menos 50 crianças foram adotadas de forma definitiva pelos seus padrinhos. A cidade de Campo Grande possui mais de 150 crianças e adolescentes sob a tutela do Estado, que, por algum motivo, não tem família e vivem em casa de abrigo. Apesar disso, nem todas estão aptas à adoção e, enquanto aguardam decisões judiciais ou pais adotivos, passam todo o tempo nos abrigos.

Com o Projeto Padrinho, essas crianças e adolescentes têm a oportunidade de passar os fins de semana em casa de família, em momentos de lazer e boa convivência. O apadrinhamento é uma alternativa para que as crianças que vivem em abrigos tenham apoio de famílias. Segundo a coordenadora do Projeto, Rosa Pires de Aquino, “Isso ajuda no desenvolvimento delas”. Ainda segundo Rosa: “a partir dos 7 anos, a criança pode ser apadrinhada e passar os fins de semana nas casas de famílias.”

Essa oportunidade depende de autorização de um juiz, que analisa a situação das famílias antes de torná-las aptas. Além do apadrinhamento afetivo, ainda existe o apadrinhamento financeiro, no qual o padrinho pode auxiliar com uma quantia mensal em dinheiro. Existe ainda o padrinho prestador de serviço, que ajuda prestando serviços gratuitos, inerentes à sua profissão ou ofício e a família acolhedora, no caso, uma família que acolhe a criança em sua casa, por certo período, até que a justiça decida o caso.

Das crianças que vivem em abrigos, apenas 10% estão judicialmente disponíveis para adoção, seja porque seus pais os entregaram para adoção ou perderam o poder familiar por decisão judicial. Já a grande maioria dos abrigados pode ter um padrinho enquanto vive nos abrigos, qualquer que seja o seu futuro: voltar à família biológica ou ser adotado.

O processo de adoção não tem relação direta com as atividades executadas pelo Projeto Padrinho. Na adoção, o adulto torna-se pai da criança. Já o padrinho será um apoio durante um determinado tempo. No entanto, com a aproximação direta pelo apadrinhamento, ocorre uma desconstrução de paradigmas e preconceito e, muitas vezes, pode surgir a idéia e a intenção de adoção, que vai depender de outros requisitos e de um processo judicial próprio, para que o padrinho ingresse no cadastro de adoção.

Muitos padrinhos afetivos acabaram realizando guardas ou adoção tardia, ou melhor, adoção de crianças mais velhas e de crianças negras, e que, talvez, nunca tivessem ocorrido se crianças e adultos não tivessem sido aproximados pelo Projeto Padrinho. Em agosto de 2007, o Projeto Padrinho conquistou o prêmio nacional (primeiro lugar na categoria “Poder Judiciário”) no concurso “Mude um destino”, realizado pela AMB ( Associação dos Magistrados Brasileiros) .

3. UMA EXPERIÊNCIA DE ADOÇÃO INTER-RACIAL.

Com o apoio do Projeto Padrinho e autorização da Juíza da Infância, da Juventude e do Idoso, em Campo Grande, Drª Katy Braun, conhecemos e acompanhamos a história de duas crianças negras adotadas por uma mãe branca. Primeiramente, conhecemos Gledson, menino negro, 11 anos, abrigado na casa Vovó Miloca, em Campo Grande – MS. Em vista ao abrigo, conversamos com a assistente social, que nos relatou que Gledson sentia muita falta do avô e que é um menino muito inteligente. Ela nos contou ainda que ele tinha uma madrinha afetiva e que, inclusive, já havia passado as férias com a família.

A madrinha afetiva de Gledson era mãe adotiva de sua irmã Maria Eduarda, “Duda”, que estava em um outro abrigo. Logo após adotar a menina, a mãe adotiva percebeu que a menina sentia muita falta de um irmão (Gledson) e lhe prometeu que iria procurá-lo. Passado algum tempo, descobriu que Gledson estava num abrigo e, assim, o procurou para que pudesse ver a irmã.

No início, a mãe, Márcia, não pretendia adotá-lo, mas apenas manter contato. Tornou-se, então, sua madrinha afetiva, levando-o para casa nos fins de semana e passando as férias todos juntos. Com o passar do tempo e do ótimo relacionamento entre os irmãos, optou por pedir a guarda de Gledson.

A guarda foi concedida e os irmãos puderam conviver em harmonia, todos na mesma casa. Nessa ocasião, mantivemos contato com Márcia para marcarmos um dia para futuras gravações. Paralelamente à pesquisa, estávamos produzindo um documentário de curta-metragem sobre adoção inter-racial.

Algum tempo depois, três meses após esse último contato, encontramos Márcia novamente e agendamos um dia para gravação de depoimentos. Para nossa surpresa, ao chegarmos à casa da família, encontramos Gledson e sua irmã Duda brincando no quintal da casa. Márcia nos contou, então, que já havia entrado com o pedido de adoção do Gledson e que ele já estava morando juntos com elas.

Para Márcia a adoção do Gledson foi decidida naturalmente, a partir do convívio que pôde ter a partir do Projeto Padrinho, que lhe facilitou a aproximação e o convívio com a criança. Contou também para sua decisão o fato dele ser irmão da sua filha adotiva, Duda.

Indagada sobre a questão do preconceito, afinal as crianças são negras e ela tem pele branca e cabelos loiros, Márcia nos relatou que no início, ainda no processo de adoção da Duda, seus pais ficaram muitos preocupados, pois achavam que ela poderia ter problemas. Márcia é separada do pai de seus filhos biológicos, já crescidos e independentes e, por isso mesmo, seus pais acreditavam que ela não precisava mais passar por preocupações e responsabilidades.

Ao contrário dos seus pais, Márcia, que é Professora Doutora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, possui uma boa situação econômica e acredita que o novo estado de maternidade, agora que se encontra com mais maturidade, está sendo exercida de forma mais prazerosa e que está exercendo melhor o seu papel de mãe.

Ainda sobre a questão do preconceito racial, afirma que sente que as crianças sofram um certo tipo de preconceito, sempre de forma mais sutil, velada, mas que isso não interfere no seu relacionamento com elas. Segundo Silva (1999, p.81):

“O mito esconde, na realidade, a verdadeira hierarquia e os conflitos da sociedade brasileira, porque faz parecer que tudo é harmonioso, que apesar das diferenças, todos estão realmente juntos, não importando as diferenças de cor [...] que todos admiram a beleza da mulata [...] com um mito que acoberta os conflitos em nome de uma história bonita.”

Esse racismo cordial vem sendo apontado como a forma mais comum de racismo no Brasil, e por ser expresso, torna-se na prática mais complicado caracterizá-lo, mais difícil de combater e amenizar a denúncia do racismo por meio de uma lógica absurda: se não há racismo, não há motivos para se organizar e lutar contra algo que não existe. Desta forma, enfraquecem os movimentos e, por conseqüência, todo o poder de manifestação da população negra.

Uma vez, quando foram à praia, e as crianças ficaram um pouco mais distante delas, percebeu a diferença de tratamento das pessoas quando se aproximou e, então, perceberam que ela era a mãe das crianças. A partir de então, passaram a tratar as crianças de modo diferente, como se a sua cor impusesse um status para as crianças.

Mas, para Márcia o importante é a educação que se dá para as crianças, no caso, ela procura explicar para as crianças que o amor é que realmente importa e só o que importa. Também as valoriza como são, e as faz acreditar que são lindas como são, acentuando e fortalecendo a sua auto-estima. Na verdade, não importa a cor de um filho, pois a sociedade brasileira é multirracial na sua essência, já que somos mistura de povos, como índios, negros e brancos, e quem mais foi chegando e aumentando a nossa miscigenação, não fazendo sentido, ainda nos tempos atuais, existir esse tipo de preocupação.

4. ONZE AMORES – UMA EXPERIÊNCIA DE AMOR.

O começo dessa história começou ainda no Ceará, quando Denise já tinha duas filhas e, por problemas de saúde, não podia mais engravidar. Mas a vontade de continuar a ter filhos era enorme. O primeiro filho adotado veio, então, recém-nascido, não por sua opção, mas por destino mesmo. Foi uma experiência de amor à primeira vista e, mesmo com o menino apresentando alguns sinais de comprometimento ou atraso no seu desenvolvimento, segundo os médicos, ela não teve dúvidas e assumiu a sua maternidade. O menino não só desenvolveu-se muito bem, como hoje é um pré-adolescente muito inteligente, que joga xadrez, e comporta-se como uma pessoa normal da sua idade.

Depois, a família veio para Campo Grande e conheceu o Projeto Padrinho, por intermédio da sua coordenadora Rosa Pires de Aquino, a quem deve a oportunidade de conhecer seus outros sete filhos adotivos. Cada história de adoção foi uma história de superação e amor. Denise é casada com Carlos Chiapetta, advogado, e passou por momentos muito difíceis, quando, por exemplo, seu marido esteve desempregado, e eles com oito crianças em casa par sustentar. Nem tudo foram flores... Denise conta que chegou a ter somente um vestido para sair. Recebiam desde alimentos até roupas, doadas por pessoas estranhas e conhecidas. Mas nunca pensaram em devolver as crianças ou pensavam em como seria melhor a situação se estivessem sem eles.

Para aqueles que questionam como se faz para viver com 14 pessoas em casa, sim, agora são 14 (após três meses do contato inicial, ao retornarmos à casa de Denise, constatamos que sua família havia aumentado mais uma vez. Agora haviam chegado mais dois adolescentes: Daniel e Dayane, ambos de 16 anos, Denise nos conta que a sua filosofia de vida é simples. Eles não têm a preocupação de ter a casa impecável, com móveis bonitos ou coisas como carro. Ela se preocupa com a alimentação da família e sua saúde, em primeiro lugar. Aliás, Denise nos confidencia ainda que “ninguém na família tem um plano de saúde”, e que, “Graças a Deus, ninguém fica doente.”

Apesar das restrições, conseguem viver de maneira muito boa para todos. Não consegue, por exemplo, sair com todos os dez filhos e um neto para tomar sorvete no Mac Donald’s , no Shopping. Porém, de vez em quando, a metade sai para passear no Shopping e, no outro mês, vai a outra metade. Seus programas costumam ser em casa mesmo. Reúnem os amigos em casa e fazem pipoca, assistem a filmes na televisão, fazem festa na sala, armam barracas de camping no quintal e todos dormem por lá, enfim, tudo vira festa... Também aproveitam para passear nos parques das cidades, ou em outras áreas livres.

Como todos deveriam fazer, valorizam as coisas simples, que nós, muitas vezes, que só temos um ou dois filhos ignoramos e tentamos dar de ”tudo” que está ao nosso alcance para eles, achando que isso trará mais felicidade. Às vezes, nos esquecemos de valorizar o que realmente importa: as coisas simples. Para a família Chiapetta, o importante é estar todos juntos, é compartilhar, dividir, somar. A adoção aqui adquire o seu real significado. Todo filho, biológico ou não, branco ou negro, precisa ser adotado pelos seus pais, o que importa para Denise é que sejam cidadãos do bem, que estudem, tenham uma boa base espiritual e que sigam seus sonhos. Para nós, que só temos filhos biológicos, fica essa lição: todo filho biológico precisa ser realmente adotado por nós. Não basta suprirmos as suas necessidades básicas, é preciso apenas o básico: dar amor e educar!!!

Um Breve Depoimento:

A Mãe dos 10 e avó de Um.

“Ah… Agora eu vou falar do meu amor, esse que eu tenho para os meus onze amores. Eu sou a mãe e tem o pai. O neto que é também um filho que veio da filha. Aqui é uma casa não muito grande que se transformou num lar sem fim. O amor é regra única, básica. Amor incondicional e ponto.

Esse prazer de estar junto, grudadinho é incomparável a qualquer prazer do mundo. Existe entre nós essa colinha que faz a diferença em tudo.
E cada vez que eu engravido pelo coração, ele se expande igual uma barriga e quer abraçar o mundo inteiro e chora por tudo e ri de qualquer coisa. Algumas pessoas não compreendem a dimensão desse amor que cresce a cada instante. Mas também, quem ama não se importa muito com isso. Você já viu como se comportam os casais apaixonados? Eles se importam com o que pensam deles? Assim é o meu amor quando engravido pelo coração.

Depois vêm os desafios, vêm as vitórias e aí o jardim já floriu todo e é só respirar fundo pra sentir os perfumes diversos. Ah... Que perfumes!!! Somos jardineiros, o plantio é no coração de quem se ama e no nosso próprio. Nós reconstruímos muitas coisas neles e em nós mesmos. Por que acima de tudo precisamos deles porque o amor nasceu e o amor nasceu porque era preciso que aprendêssemos a amar assim sem amarras e incondicionalmente.

Cada um dos meus onze amores é uma história de amor que eu vivi e escrevi no livro da minha alma. Um dia, quem sabe eu arrume tempo (risos) pra escrever minha história de amor com cada um dos meus onze amores... Mas gente... Pode ser que venham ainda mais amores... Meu coração é fértil e não há anticoncepcionais para adoção, GRAÇAS A DEUS!!! ” (Denise Chiapetta – mãe biológica de 2 meninas e mãe de coração de 8 filhos adotivos, 1 neto e sendo os 11 amores, todos de coração)

5. UMA FAMÍLIA MULTIRRACIAL.

“Bom, falando de adoção inter-racial (quando a criança pertence a uma raça diferente da dos pais adotivos), algo que também vivenciei na minha família, a coisa mais importante é estabelecer entre a família, uma ligação forte e segura, superando as diferenças físicas.

Nós vivemos em um mundo preconceituoso demais... Já escutei tanto absurdo, coisas que não entram na minha cabeça. “Sou racista porque sou antigo”, “Sou racista porque tenho descendência européia” (?!), “Sou racista porque foi minha criação”... Bom, com o conhecimento que temos hoje, as justificativas que as pessoas arranjam são cada vez mais esfarrapadas! Já escutei coisas também do tipo “se você pode ter um filho loirinho, porque vai querer um pretinho?” entre outros absurdos, que definitivamente, não entendo. Algumas pessoas em menor intensidade, outras, declaradas, mas a verdade é que estamos em um país muito racista.

Aqui crianças negras ou com traços negróides, têm menos chances de serem adotadas e estão sujeitas a serem institucionalizadas por grande tempo. A maioria prefere menina, de até dois anos, branca.

Meus pais não especificaram a raça, nem a idade. Tenho quatro irmãos negros e dois com traços negróides e índios. No começo, lembro que negavam a própria raça... As meninas queriam alisar os cabelos... Os meninos diziam que não eram negros. Minha irmã Louise trabalhou muito com todos, através da música. Ela gosta muito de Rap, de Black Music e através dos clipes, elogiava muitos artistas, mostrava as cantoras, como cuidavam do cabelo, como eram lindas e os cantores também. Sendo nossas adoções na maioria tardias, foi bem positivo para eles.

No caso de adoções feitas em “último caso”, quando os pais não podem procriar biologicamente e não tenham podido elaborar o luto pela sua esterilidade, aparecem alguns problemas em relação à adoção inter-racial. Acontece que esses pais, segundo Freud, revivem suas fantasias narcísicas por meio de seus filhos: seus anseios de perfeição e imortalidade estão concentrados no seu olhar sobre eles. Quando as diferenças físicas são gritantes, a descontinuidade biológica é evocada com freqüência, e pode haver dificuldades em sentir a criança como um filho legítimo.

As diferenças físicas entre pais e filhos evidenciam a percepção da descontinuidade biológica e põe à prova a confiança na estabilidade da relação. A criança pode testar os pais para ver a consistência do vinculo com a família. Isso acontece também pelo medo da criança de ser abandonada novamente... O que acontece em alguns casos... Já escutei delírios absurdos, como: “você não sabe a herança genética dessa criança, ele pode matar todos vocês” (!) “ela será prostituta como a mãe biológica”(!) “ele tem psicopatia (criança de 2 anos, absolutamente normal)”. Alguns casos de pais, que não podiam ter filhos, fazem a adoção, conseguem ter filhos e abandonam novamente o adotivo, a criança é abandonada duas vezes.

Algo importante é trabalhar com a criança a questão do racismo existente na nossa sociedade. Não podemos ignorar que convivemos com o racismo. A conscientização dos pais quanto a este tema e seu enfrentamento dentro da realidade são essenciais para que eles possam ajudá-la neste processo.

Quer saber, hoje somos todos aqui em casa tão parecidos. Meus irmãos são lindos demais, cada um com seu jeitinho, sua raça, seu estilo. Como é bom amar! Como é bom não ser racista e encontrar esses grandes amores da minha vida... Eles são parte de mim e hoje não imagino minha vida sem o sorrisão do Alexandre, sem o olhar meigo da Ana Flávia, sem as brincadeiras do Roniel, sem a solicitude e companhia do Diego, sem a amizade da Dania, sem o carinho enorme da Viviane... Sem o amor de todos eles.

Nenhuma adoção é fácil, temos que compreender todo o processo traumático que passaram de rejeição e abandono... Às vezes podem ser agressivos, podem ser hostis, mas só querem testar o amor que temos... Passada essa fase, é só alegria.
Reflitam! Espero que ajude! Beijos para todos!”

(Texto postado por Annalies Chiapetta, às 10h35min no seu blog onze amores.blogspot.com e gentilmente cedido para este artigo).

Como constatamos no depoimento acima, a auto-estima é fundamental para o sucesso de uma adoção inter-racial. Ela baseia-se em reconhecer-se como pertencente a determinado grupo étnico, e identificar-se, mesmo sem levantar bandeiras. Ser negro, sentir-se negro e sentir-se bem assim, em qualquer lugar é o grande desafio, uma questão de atitude, como a de aceitar as pessoas com suas diferenças.

Segundo Souza (2002), os processos de diferenciação que a nossa espécie é capaz de realizar, estabelecem cisões na dimensão complexa da ponte que, ao mesmo tempo em que separa as margens, as reúne: lugares de muitos passantes que pedem pontes para realizar a travessia em direção ao encontro.

“Sempre e sempre de modo diferente, a ponte acompanha os caminhos morosos ou apressados dos homens (e mulheres) para lá e para cá, de modo que eles possam alcançar outras margens. A ponte reúne enquanto passagem que atravessa”. (FLEURI, 2000, p.109)

A juíza Drª Katy Braun, da Vara da Infância e Juventude de Campo Grande-MS, relata que:

“Após tragédias recentes, como a do Haiti, eu chegava a receber um alto número de procura, por telefone, de informações de como fazer para adotar uma criança da Haiti. Com artistas como Angelina Jolie e Madonna adotando crianças negras de países pobres, eu creio que há um desejo de satisfazer mais o ego do que o desejo real de adoção por parte desses pretendentes a pai. Ao dizer que aqui em Campo Grande, nos abrigos, encontrariam crianças à espera de adoção, acabavam desistindo da idéia. Sempre me perguntava: Será que as crianças negras do Haiti são mais bonitas do que as daqui?”

É fundamental respeitar o outro, as diferenças, os pontos de vista divergentes do nosso. Não fazê-lo pode acarretar o estabelecimento de barreiras e resistências que dificultarão em muito a realização do objetivo fundamental: assegurar a todas as crianças o direito a ter uma família. Ir ao encontro da criança, da criança real, daquela que reclama um direito, não menos do que isso, um direito, não um favor, não uma caridade, um direito assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma experiência de adoção inter-racial pode ser considerada como uma das mais ricas experiências de educação intercultural, abrindo amplas possibilidades de acolhimento das diferenças. Encontrar um lugar onde as diferenças possam ser articuladas e não excluídas: aqui encontramos uma possibilidade de formação de identidades que não se estabelece em polaridades, mas sim em interação.

A relação com o outro pressupõe a existência de reciprocidade, de encontros, sem seleção de qualquer categoria (negro, branco, homem, mulher). As pessoas pesquisadas desmistificaram a idéia de que somente a adoção de bebês ou crianças de até três anos, saudáveis e com características semelhantes às do casal adotante têm mais chances de sucesso na adoção.

As dificuldades encontradas nas famílias que adotaram crianças negras não são maiores ou mais significativas do que as encontradas no seio de uma família com filhos biológicos, sejam eles brancos ou negros. A desconstrução desses preconceitos fez-se durante todo o processo da pesquisa e do conhecimento das histórias relatadas. A formação de famílias multirraciais pesquisadas demonstra que a constituição de uma família passa pela convivência, diálogo e amor, afinal o que realmente importa para a formação de uma família.

Em Campo Grande, constatamos que o número de crianças negras nos abrigos não é maior do que o número de crianças brancas. Mais um mito desfeito. Começamos a pesquisa achando que encontraríamos um número maior de crianças negras para adoção.

Um fato que, talvez, justifique essa constatação seja o excelente trabalho feito pela Vara de Infância e Juventude de Campo Grande já há algum tempo. Para o processo de adoção há um cuidadoso acompanhamento das famílias pretendentes à adoção por um grupo de profissionais habilitados, como psicólogos e assistentes sociais, que orientam e avaliam se os pretendentes estão aptos para a adoção.

O Projeto Padrinho também estimula a diminuição do preconceito ao aproximar as pessoas daquelas crianças que, a princípio, teriam mais dificuldades em encontrar uma família adotiva. Crianças negras, crianças mais velhas, meninos, enfim, todos aqueles que fogem ao padrão mais procurado: menina, até 3 anos, no máximo, e de cor branca.

Adotar alguém não é resposta às mazelas da sociedade, também não é resposta à necessidade que alguns têm de fazer caridade. A adoção não pode ser movida por sentimentos altruístas ou de pena, de revolta por práticas governamentais equivocadas. Adotar não é sinônimo de generosidade. A adoção é ímpar e deve ser plena, movida por um único desejo: ser mãe ou pai. Compreender o processo da adoção, seu aspecto legal e, principalmente, o interior de cada ser (daquele que adota e daquele que é adotado), suas razões e emoções é fundamental para a estruturação desse instituto (adoção) que representa, sim, indiretamente, apenas uma pequena contribuição às mazelas da sociedade. Apenas isso e não por isso.

O exercício da paternagem e da maternagem compreende muito mais do que o cuidado objetivo da criança, compreende a sua construção como ser humano, a sua estruturação psicoemocional e física. A educação do filho é igual para o biológico e para o adotado, seja ele branco ou negro, índio ou mulato. Filho é filho e não se pode negligenciar os valores, encontrar desculpas, tais como “porque ele é adotado...”

É imprescindível que ao filho, adotado ou não, branco ou negro, seja conferido amor, responsabilidades e limites educacionais, sabendo-se que todos, inclusive as crianças, possuem direitos e deveres. Já se perguntou: “Que mundo deixarei para meu filho?” E que tal se perguntar: “Que filho deixarei para este mundo?”

Referências bibliográficas:
AYRES, L. S. M., CARVALHO, M.S., e SILVA, M.M. Olhares sobre a Instituição Adoção: Família e Pobreza em Questão. In: NASCIMENTO, M.L., 9ORG0. Pivets: A Produção de Infâncias Desiguais. Niterói: Intertexto: Rio de Janeiro: Oficina do Autor, 2002.
AURÉLIO, Buarque de Holanda Ferreira. Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0. Coordenação e edição: Margarida dos Anjos e Marina Baird Ferreira. Brasil: Editora positivo, 2004.
BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. 1999.
_______. Lei nº 12.010 (nova lei da adoção), 2009.
CUNHA, E.P., & CUNHA, E.S.M. Políticas Públicas Sociais. In CARVALHO, A & COLS. (Orgs), Políticas Públicas. Belo horizonte: editora UFMG; Proex, 2002.
GOMIDE, P. I. C. Prefácio. In L. N. D. Weber, Laços de Ternura: Pesquisas e histórias de adoção (2ª ed). Curitiba: Juruá. 1999.
FLEURI. Educação nos limiares entre culturas. Revista Marco Social: educação para valores. Instituto Souza Cruz, janeiro, 2003.
HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
SILVA, Érica Sarmiento da. O Mito da Democracia Racial: o racismo cordial no Brasil – a visão mitológica, antropológica e jornalística. Rio de Janeiro, 1999. Monografia (Graduação em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo), Universidade Estácio de Sá.
SILVEIRA, Ana Maria. Particularidades da Adoção: a questão da etnia. São Paulo, 2002. Dissertação (Mestrado em Serviço Social). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
SOUZA, Maria Isabel Porto de. Construtores de Pontes: explorando limiares de experiências em educação intercultural. Florianópolis, 2002. (Dissertação de Mestrado em Educação). Centro de Ciências da Educação, Programa da Pós Graduação em Educação, Universidade Federal de Santa Catarina.
WEBER, L. N. D. Laços de Ternura: Pesquisas e histórias de adoção (2ª ed.). Curitiba: Juruá, 1999.










Fonte:http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9658

Claudio Vitorino em ação..

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Claudio Vitorino em ação..

Aquele que acredita que o interesse coletivo está acima do interesse individual , que acredita que tudo e possível desde que tenha fé em Deus e coragem para superar os desafios...

Vida difícil? Ajude um estranho .

Pode parecer ilógico -no mínimo pouco prioritário- ajudar um estranho quando as coisas parecem confusas na nossa vida. Mas eu venho aprendendo que este é um poderoso antídoto para os dias em que tudo parece fora do lugar.

Como assim, pergunta o meu leitor mais cético? E eu explico:
Há duas situações clássicas onde podemos auxiliar uma pessoa que não conhecemos. A primeira é através de doações e gestos similares de caridade. Estes atos são maravilhosos e muito recomendáveis, mas não é deles que quero falar hoje.


Escolhi o segundo tipo: aquelas situações randômicas onde temos a oportunidade de fazer a diferença para uma pessoa desconhecida numa emergência qualquer. Na maioria das vezes, pessoas com quem esbarramos em locais públicos, envolvidas em situações que podem ir do estar atrapalhado até o precisar de mãos para apagar um incêndio.

E o que nós, imersos nas nossas próprias mazelas, distraídos por preocupações sem fim amontoadas no nosso tempo escasso, enfim, assoberbados como sempre... O que nós temos a ver com este ser humano que pode ser bom ou mau, pior, pode sequer apreciar ou reconhecer nosso esforço?


Eu vejo pelo menos seis motivos para ajudar um estranho:


1) Divergir o olhar de nossos próprios problemas
Por um momento, por menor que seja, teremos a chance de esquecer nossas preocupações.
Dedicados a resolver o problema do outro (SEMPRE mais fácil do que os nossos), descansamos nossa mente. Ganhamos energia para o próximo round de nossa própria luta.
Esta pausa pode nos dar novo fôlego ou simplesmente ser um descanso momentâneo.


2) Olhar por um outro ângulo
Vez ou outra, teremos a oportunidade de relativizar nossos próprios problemas á luz do que encontramos nestes momento. Afinal, alguns de nossos problemas não são tão grandes assim...
Uma vez ajudei Teresa, a senhora que vende balas na porta da escola de meu filho. A situação dela era impossível de ser resolvida sozinha, pois precisava “estacionar” o carrinho que havia quebrado no meio de uma rua deserta. Jamais esquecerei o olhar desesperado, a preocupação com o patrimônio em risco, com o dia de by Savings Sidekick">trabalho desperdiçado, com as providências inevitáveis e caras. E jamais me esquecerei do olhar úmido e agradecido, apesar de eu jamais ter comprado nada dela. Nem antes nem depois.
Olhei com distanciamento o problema de Teresa. E fiquei grata por não ter que trabalhar na rua, por ter tantos recursos e by Savings Sidekick">oportunidades. E agradeci por estar lá, naquela hora, na rua de pouco movimento, e poder oferecer meus braços para ela.


3) Não há antes, nem depois ...
Na intricada teia de nossos by Savings Sidekick">relacionamentos, dívidas e depósitos se amontoam. Ajudar um conhecido muitas vezes cria vínculos ou situações complexas. Ás vezes, ele espera retribuir. Outras vezes, esperamos retribuição. Se temos ressentimentos com a pessoa, ajudá-la nem sempre deixa um gosto bom na boca. Se ela tem ressentimentos conosco, fica tudo muito ruim também.
Já com estranhos são simples. É ali, naquela hora. Depois acabou. E não há antes. Que alívio!
(mas não vamos deixar de ajudar os conhecidos dentro de nossas possibilidades, hein?)


4) A gratidão pelo inesperado é deliciosa
Quem se lembra de uma vez em que recebeu uma gentileza inesperada? Não é especial? E nem sempre estamos merecendo, mal-humorados por conta do revés em questão.
Ou quando ajudamos alguém e recebemos aquele olhar espantado e feliz?
Ontem mesmo, eu estava numa fila comum de banco. Um senhor bem velhinho estava atrás de mim. Na hora em que fui chamada, pedi que ele fosse primeiro. “Mas por que, minha filha?”. “Pelos seus cabelos brancos”, respondi. Ele, agradecido, me deu uma balinha de hortelã. Tudo muito singelo, muito fácil de fazer, mas o sentimento foi boooom.


5) Quase sempre, é fácil de fazer.
Uma vez eu fiquei envolvida por uma semana com uma mãe e um bebê que vieram para São Paulo para uma cirurgia e não tinha ninguém para esperar no aeroporto. Levei para um hotel barato, acompanhei por uma semana e tive medo de estar sendo usada, reforçada pelo ceticismo de muitas pessoas ao meu redor. No final, deu tudo certo e a história era verdadeira.
Mas na maioria dos casos, não é preciso tanto risco ou tanto tempo. Uma informação; um abaixar para pegar algo que caiu; uma dica sobre um produto no supermercado. Dar o braço para um cego (nunca pegue a mão dele, deixe que ele pegue o seu braço, aprendi com meu experiente marido). Facílimo, diria o Léo. E vamos combinar, fácil é tudo que precisamos quando o dia está difícil, certo?

6) Amor, meu grande amor
Finalmente, ajudar estranhos evoca o nosso melhor eu. É comum termos sentimentos de inadequação, baixa auto-estima e insatisfação conosco quando estamos sob tempo nublado. E ajudar o outro nos lembra que somos bons e capazes. Ajudar um estranho demonstra desapego, generosidade, empatia pelo próximo. E saber que somos tudo isto quando o coração está cinza... É para olhar com orgulho no espelho, não?

Portanto, se hoje não é o seu dia... Faça o dia de alguém. E se é um dia glorioso... Vai ficar melhor!

Fonte:http://www.vivermaissimples.com/2011/03/vida-dificil-ajude-um-estranho.html

Karoline Toledo Pinto

Karoline Toledo Pinto
Karoline Agente Penitenciária a quase 10 anos , bacharelada no curso de Psicologia em uma das melhores Instituição de Ensino Superior do País , publica um importante ARTIGO SOBRE AS DOENÇAS QUE OS AGENTES PENITENCIÁRIOS DESENVOLVEM NO EXERCÍCIO DE SUAS FUNÇÕES . Aguardem em breve aqui será publicado .APESAR DAS PERSEGUIÇÕES INFUNDADAS DAS AMEAÇAS ELA VENCEU PARABÉNS KAROL SE LIBERTOU DO NOSSO MAIOR MEDO A IGNORÂNCIA CONTE COMIGO.. OBRIGADO CLAUDIO VITORINO

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